As doenças do sistema circulatório, que incluem infarto e acidente vascular cerebral (AVC), são as principais causas de morte em Joinville. Em 2017, essas enfermidades foram responsáveis por quase um terço (30,3%) dos mais de 2,4 mil óbitos informados na cidade entre janeiro e novembro. Na sequência aparecem os tumores, as doenças do aparelho respiratório e causas externas, como acidentes, suicídios, agressões ou disparos de arma de fogo.

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Os dados estão no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Sistema Único de Saúde (SUS), e demonstram que mais de 70% das mortes ocorridas no município no ano passado estão concentradas nesses quatro grupos de mortalidade, de um total de 22. O índice – proporcional ao acumulado até o último mês do levantamento – é 11 pontos percentuais (p.p) maior do que o registrado pelo mesmo conjunto 10 anos antes. Somente entre as doenças cardiovasculares, o salto desde 2007 chegou a 7,6 p.p. Na época, foram contabilizados 2,3 mil óbitos e a fatia do indicador correspondia a 22,7% do total.

Entre um período e o outro, a evolução mais significativa ocorreu em 2010, quando as doenças do aparelho circulatório ultrapassaram a marca dos 30% do número de óbitos, totalizando 775 das 2.542 mortes registradas. O índice permanece estável nesta década. Já dentre os diversos tipos de câncer, houve crescimento significativo na parcela de mortes de 2007 a 2017, saltando de 17,9% para 22,5%.

Em movimento contrário, em 10 anos as causas externas registram leve queda de 0,8 p.p na participação no número de mortes. Em 2007, o grupo representava 11,1% dos óbitos de Joinville e, em 2016, chegou a ocupar a terceira colocação do ranking (11,4% do total). Hoje, essa parcela corresponde a 10,4%, a quarta entre os motivos dos falecimentos. A característica foi ultrapassada pelas doenças do aparelho respiratório, que passou de 9,6% para 10,4% na participação das mortes entre os dois anos.

Dentre as neoplasias, o destaque está nos tumores malignos dos brônquios e pulmões, com variação de 3,3% e 3,9% desde 2015. Principal fator das mortes registradas em decorrência de problemas respiratórios, a pneumonia se manteve estável, com 5,1% do total de casos entre 2015 e 2017. Já para as ocorrências externas, as agressões ou disparo de arma de fogo se destacam: 3,5% do total.

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INFARTO DO MIOCÁRDIO REPRESENTA 8,7% DOS ÓBITOS

De acordo com a Secretaria de Saúde de Joinville, do total de óbitos provocados pelas doenças do sistema circulatório entre os residentes de Joinville, o infarto agudo do miocárdio detém a maior quantidade de casos. No último ano a causa compreendeu 8,7% dos componentes do grupo. O número representa elevação nos últimos três anos, quando tinha participação de 5,7% no indicador.

O médico Conrado Roberto Hoffmann Filho, cardiologista do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt de Joinville – referência no tratamento de doenças cardiovasculares do Norte catarinense – explica que, com o envelhecimento da população, a proporção de casos relacionados ao coração e sistema circulatório vem aumentando ano a ano, devendo ficar ainda mais intensa em 2030, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O desencadeamento dessas doenças, segundo ele, tem como fatores de risco principais o diabetes, a pressão alta, o cigarro e o colesterol alto. Em grau menor a obesidade também é responsável pela alta, um problema enfrentado por ao menos um quarto da população, além de sedentarismo, estresse e histórico familiar.

No entanto, ele destaca que é possível prevenir ou reduzir o risco mantendo hábitos de vida saudáveis. Entre as ações possíveis está a adesão aos exercícios físicos, manter sob controle o colesterol, redução do uso do cigarro e alimentação equilibrada.

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— Essa média cresce à medida que a população vai ficando mais velha e também porque há maior investimento no combate e tratamento de outras causas, como a Aids e as infecções, que antes tinham proporções mais elevadas. É necessário estimular a prevenção — explica.

Um desses exemplos é a posição do grupo de ‘sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório’, que estava na terceira colocação no ranking das principais causas de morte em 2007 e, atualmente, não está na lista das cinco maiores causadoras de óbitos na cidade.

ENTENDA O SIM

O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi criado pelo Departamento de informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS/SUS) com o objetivo de obter e controlar os dados da mortalidade no país. De acordo com sistema, a captação de informações detalhadas sobre as motivações dos óbitos contribuem para diversas áreas da gestão na saúde pública. Entre as possibilidades estão os subsídios para análises de situação, planejamento e ações voltadas para a essas áreas.

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