O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme Dark Horse, biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), função que o daria poderes sobre a gestão financeira do projeto. A informação foi revelada na tarde desta sexta-feira (15) em nova reportagem do portal Intercept Brasil.
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As informações do site se baseiam em um contrato assinado por Eduardo Bolsonaro e em diálogos mantidos por ele com o empresário Thiago Miranda, que teria intermediado conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os dados contradizem as afirmações de Eduardo Bolsonaro feitas no Instagram na quinta-feira (14), em que ele negou ter recebido dinheiro do fundo de investimento criado para custear as despesas do filme sobre Bolsonaro.
Veja fotos sobre o filme Dark Horse, biografia de Bolsonaro
O documento mostrado na reportagem do Intercept Brasil é um contrato que coloca a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora do filme, e os então deputados Eduardo Bolsonaro e Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos da obra.
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A atividade permite a atuação no controle do orçamento e de gestão financeira de produções audiovisuais. Não há informações, no entanto, sobre quem efetivamente atuou nas decisões sobre captação e aplicação de recursos voltados ao filme. O documento teria sido assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro, em 30 de janeiro de 2024.
Conversas entre empresário e Daniel Vorcaro
Além do documento, a reportagem do Intercept Brasil se baseia também em conversas mantidas pelo empresário Thiago Miranda e Daniel Vorcaro, em que o empresário destacaria o papel o papel de Eduardo na produção do filme. Em uma das conversas, Miranda apresenta a Vorcaro uma “demanda” que Flávio e Mario [Frias] teriam feito a ele.
Em outra conversa, Eduardo Bolsonaro dá detalhes a Miranda sobre como seria melhor que os recursos fossem enviados, afirmando que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA”. À reportagem do Intercept, Miranda afirma que “não desempenhou qualquer papel na produção, divulgação ou gestão do filme”, e que apenas teria intermediado o contato entre pretenso investidor e interessados no projeto.
Ao longo da semana, reportagens na imprensa nacional indicaram que a Polícia Federal apurava se parte do dinheiro repassado por Vorcaro à produção do filme Dark Horse poderia ter sido usada para pagar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado cassado está há pouco mais de um ano em solo norte-americano. Em resposta no Instagram, Eduardo negou as acusações.
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Na quarta-feira, a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra um pagamento de Daniel Vorcaro em forma de suposto patrocínio ao filme Dark House movimentou o meio político e causou turbulência na pré-campanha presidencial de Flávio. O pré-candidato ao Palácio do Planalto alegou que se tratava de dinheiro privado e voltado apenas à produção do filme.






