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Elas decidem: conheça três mulheres que são juradas no Concurso Brasileiro de Cervejas

Neste 8 de março, elas passarão o dia em Blumenau avaliando amostras para ajudar a escolher os melhores rótulos do Brasil

08/03/2020 - 06h55 - Atualizada em: 08/03/2020 - 20h49

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Augusto
Por Augusto Ittner
Rosária, Daiane e Kátia: as juradas do Concurso.
Rosária, Daiane e Kátia: as juradas do Concurso.
(Foto: )

Entre um copo e outro de amostras, elas são protagonistas. Enquanto veem as cores e sentem os aromas e sabores, as juradas do Concurso Brasileiro de Cervejas definem, também, os rótulos que serão escolhidos em Blumenau como os melhores do país em 2020. É nessa avaliação, ao lado de outros 110 especialistas, que mulheres como Rosária Penz, Daiane Colla e Kátia Jorge provam que o universo cervejeiro não é — e nem pode ser — ligado apenas ao sexo masculino.

Neste ano, um dos dias de avaliação das cervejas é justamente o Dia Internacional da Mulher. Para essas três, é o cenário perfeito, fazendo aquilo que gostam e para o que dedicam boa parte das vidas.

Daiane, por exemplo, tem um currículo de dar inveja: é jornalista, sommelière de cervejas e mestre em Estilos, Avaliação de Cervejas e Harmonização por um instituto dos Estados Unidos. Além disso, cursou Tecnologia Cervejeira no Instituto da Cerveja Brasil e é embaixadora do Brussels Beer Challenge — um dos mais conceituados eventos do planeta. Além disso tudo, ainda arruma tempo para dar consultorias, palestras, cursos, organizar eventos. Tudo, claro, para falar de cervejas — independentemente da data.

— As mulheres tiveram um papel fundamental na descoberta e também na evolução histórica da produção de cervejas. Temos uma relação muito próxima com a bebida e desde sempre precisamos lutar pelo nosso espaço e nossa voz nesse mercado. É uma forma de celebrar nós mulheres, essa bebida que tanto nos une e nos fortalece e mostrar a todos a nossa força — defende Daiane.

Daiane Colla.
Daiane Colla.
(Foto: )

A desginer de receitas

Ser “designer de receitas” é uma profissão singular. E coube a Rosária Penz, proprietária da Hildegard Cervejaria Cigana, essa missão — além dos desafios de administrar o próprio negócio. Consultora para bares e cervejarias e professora da Escola Superior de Cerveja e Malte, a jurada ainda é uma pesquisadora do universo das cervejas sem álcool e de baixo teor alcoólico. Tudo isso para uma pessoa que nem sonhava em trabalhar com cerveja na vida.

Para Rosária, embora falar do Dia da Mulher muitas vezes seja “chover no molhado”, mostrar o protagonismo feminino ainda é essencial:

— Costumo dizer que o 8 de março ainda é um mal necessário, já que pelo menos uma vez por ano repetimos que as coisas não estão boas e que ainda falta muita coisa a ser conquistada. Entretanto, vejo que devemos falar de cervejas e demandar a maior participação das minorias o ano todo.

Rosária Penz
Rosária Penz
(Foto: )

No mundo das cervejas desde os anos 1980

Outra jurada é Kátia Jorge, que atua no mercado das cervejas desde a década de 1980. Tudo começou quando ela precisou se mudar para Berlim junto com o marido, que ia começar um curso de mestre-cervejeiro por lá. A ideia inicial era ficar dois anos, porém ela acabou ficando mais três após receber um convite da empresa em que o esposo trabalhava. Depois disso, voltou ao Brasil e começou a trabalhar na Brahma.

Hoje, Kátia atua em uma empresa britânica de análise sensorial e é responsável pelo mercado das Américas.

– Treinamos e monitoramos por ano mais de 5 mil degustadores pelo mundo, em nove das 10 maiores empresas de bebidas. São mais de 2 mil painéis sensoriais monitorados, além do nosso próprio equipamento que agrega conhecimento a gestão sensorial. Meu trabalho é treinar pessoas em diferentes bebidas, como água, chá, café, cerveja, vinho, destilados, refrigerante nas Américas. Poder trabalhar com o que se ama torna o dia mais leve, mais prazeroso. Amo e sinto prazer no que faço – destaca Kátia.

Como funciona o concurso

Em mesas colocadas no Eisenbahn Biergarten, os 113 jurados começam no sábado (9) a avaliação dos 3.284 rótulos inscritos no Concurso Brasileiro de Cervejas. Eles são divididos por estilos.

No momento da prova, cada juiz recebe uma amostra sem nenhum tipo de identificação, sem marca, ou qualquer indício que remeta à cervejaria que a produziu.

Feita essa avaliação, o juiz dá uma nota e são definidas as melhores cervejarias e as melhores cervejas. Até mesmo as não premiadas terão acesso à súmula de julgamento para, eventualmente, aprimorarem os processos de produção.

A cerimônia para premiar os vencedores ocorre na terça-feira (10).

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