O morador de Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, Rodrigo Luz, é apaixonado por um objeto que marcou gerações: os cartões telefônicos. Ele reúne hoje uma coleção com mais de 14 mil exemplares, iniciada ainda na década de 1990, quando os orelhões faziam parte do cotidiano dos brasileiros.
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Segundo Rodrigo, o interesse começou de forma simples.
— No começo, as pessoas descartavam os cartões depois que os créditos acabavam. A gente passava pelos orelhões recolhendo os cartões usados que ficavam ali — relembra. Com o tempo, o hobby ganhou organização e alcance nacional.
A prática, conhecida como telecartofilia, consiste em colecionar cartões telefônicos, e quem se dedica a ela é chamado de telecartofilista. Rodrigo passou a comprar cartões, trocar com colecionadores de outros estados e participar de encontros especializados, além de manter contato por cartas, prática comum antes da popularização da internet.
A coleção contempla diversos tipos de cartões, incluindo séries especiais em que cada cartão é parte de uma imagem maior, muitas vezes retratando paisagens e elementos da natureza. Segundo ele, após a privatização do sistema de telefonia, os cartões passaram a ter mais foco em propagandas, reduzindo a oferta de imagens artísticas, o que tornou a busca ainda mais desafiadora.
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Entre os itens mais curiosos estão cartões produzidos exclusivamente para colecionadores, alguns com temas florais e até fragrância, distribuídos por clubes de telecartofilia.
— Eram cartões utilizáveis, mas quase ninguém usava. A ideia era preservar intactos — explica.
Um dos destaques da coleção é um dos primeiros cartões telefônicos lançados no Brasil, em 1992, durante a Eco 92, evento internacional realizado no Rio de Janeiro. O cartão, produzido com tecnologia brasileira, está lacrado na embalagem original.
— Paguei R$ 130 na época, quando o salário mínimo girava em torno de R$ 200 — conta.
Rodrigo lembra que, durante anos, abriu mão de outros gastos para investir na coleção. Hoje, todos os cartões estão organizados em álbuns, catalogados por séries, sempre com a busca constante por aquele exemplar que ainda falta.
Com a retirada definitiva dos orelhões, ele admite sentir tristeza.
— Foi uma paixão que me trouxe para o colecionismo. Depois fui para cédulas e moedas, mas o cartão telefônico permanece especial — afirma.
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Para Rodrigo, encerra-se um ciclo histórico iniciado em 1992, que agora sobrevive apenas na memória e em coleções como a dele.
— Para quem não viveu essa época, fica o registro de como os cartões eram belos e da qualidade das peças que tínhamos para colecionar — finaliza.







