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"Ele me trancou no banheiro", conta uma das reféns de assalto a banco em Vargeão

Preso, assaltante prestou depoimento na Delegacia de Ponte Serrada e depois foi conduzido ao Presídio Regional de Xanxerê

12/03/2019 - 20h24

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Darci
Por Darci Debona

Conhecida como a cidade do "Meteoro", por estar numa depressão causada pelo impacto de um asteroide há milhões de anos, Vargeão, no Oeste de Santa Catarina, acabou abalada por um assalto a banco com três reféns ocorrido na manhã desta segunda-feira (12). Por volta das 7h30, Edson Renan Padilha, 26 anos, rendeu o gerente da agência quando ele saía de casa para ir ao trabalho.

Sob a mira de um revólver 38, o gerente, de 61 anos, dirigiu até o banco com o assaltante abaixado na parte traseira do veículo. Estacionou em frente à agência, na Rua 7 de Setembro, próximo à Prefeitura, e entraram no banco. Lá, o bandido rendeu uma funcionária. Logo depois, outra funcionária que chegava para trabalhar foi feita refém.

— Eu cheguei para trabalhar era cinco para as oito e ele já estava dentro do estabelecimento, com o gerente. Ele só pediu para eu ficar em silêncio, não gritar, soltar o que eu tinha na mão e ele me trancou no banheiro com outra funcionária que também estava na agência — relatou uma das reféns em depoimento ao Canal Ideal, de Xanxerê.

Como os funcionários não tinham acesso ao cofre da agência, um ligação telefônica foi feita para outra funcionária. Essa estranhou a situação e, após acessar o videomonitoramento, acionou a polícia.

Agentes das Polícia Civil e Militar de vários municípios da região foram chamados, além do Serviço Aeropolicial da Fronteira (Saer/Fron). A movimentação mudou a rotina de toda a cidade.

— Nós fechamos as portas e ficamos no fundo da farmácia — diz uma empresária, que tem o estabelecimento quase em frente ao banco.

— Já tinham me avisado por telefone e quando cheguei estava tudo isolado, todas as ruas fechadas, só fui abrir a loja à tarde — lembra outro comerciante, dono de uma relojoaria.

A auxiliar administrativa do Instituto Catarinense de Sanidade Animal, Eduarda de Moura, disse que não tinha notado nada diferente quando chegou no trabalho, que fica em frente ao banco.

— Ligaram da prefeitura dizendo para fechar a porta e me abaixar que tinha um assaltante dentro do banco. Aí eu fiquei abaixada e comecei a falar com meus pais e amigos. A gente fica apreensiva, pois nunca imagina que vai acontecer uma coisa dessas. Fiquei quase duas horas escondida até que consegui sair por um acesso nos fundos — relata Eduarda.

Vargeão
Policiais estiveram no local para negociar com o assaltante, que manteve três funcionários reféns
(Foto: )

Um policial militar começou a negociação. O assaltante chegou a fazer dois disparos, um no teto da agência e outro para a rua. Ameaçou sair com os reféns e fugir em um carro. Até ligou para prefeitura pedindo a retirada de veículos que estariam atrapalhando sua fuga. Uma das reféns disse que esse foi o momento de maior tensão.

— Ele disse que não iria fazer nada, mas quando realmente houve o cerco policial, tinha muitos populares, carros atravessados na rua evitando a saída dele, nesse momento foi quando me deu mais meto. A gente achou que talvez ele pudesse fazer alguma coisa em virtude de estar cercado — lembra a funcionária da agência.

Ela disse que decidiu correr para fora do banco quando o gerente aproveitou um momento de distração do bandido e entrou em luta corporal com ele, inclusive sofrendo um corte na boca.

— Eu saí correndo da agência e a polícia entrou quando o gerente segurou a arma dele, que ele tinha em mãos. Ainda dá um cero medo, pavor, quando a gente se vê à mercê de pessoas que não são do bem — lembra.

Apesar de recuperar a arma, Edson Renan Padilha acabou se rendendo por volta das 10h, depois de ter garantida a sua integridade física. Ele prestou depoimento na Delegacia de Ponte Serrada e depois foi conduzido ao Presídio Regional de Xanxerê, onde ainda não tinha advogado até o início da noite.

A sensação de medo ainda continua na cidade. Na tarde desta terça, a agência funcionou, mas ninguém queria mais comentar sobre o assalto. Nem o gerente quis falar sobre o que ocorreu. A tranquilidade dos 3,5 mil moradores de Vargeão não será mais a mesma por uns tempos.

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