De acordo com a crença popular, nunca é tarde demais para começar, ou, no caso de Fernando Gomes, recomeçar. Aos 61 anos de idade, ele estava há seis anos em situação de rua em Navegantes quando um mutirão de limpeza o surpreendeu com uma mudança de vida. Ele foi encontrado por equipes da prefeitura durante uma ação ambiental, enquanto estava vivendo em meio à vegetação da restinga da Meia Praia.

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Após o encontro, as equipes perceberam em Fernando a vontade de mudar de vida. Foi aí que ele foi surpreendido com a proposta de uma vaga de emprego na empresa responsável pela limpeza urbana do município.

— Eles vieram para limpar a restinga, não para procurar ninguém. E eu estava ali. Deu certo que, graças a Deus, eu estava ali e fui achado por essas pessoas maravilhosas, que abriram a porta e me deram uma oportunidade. Agora cabe a mim manter — relata.

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Segundo o novo trabalhador, ele não conseguia sair das ruas justamente por não possuir endereço fixo, o que causava na perda de oportunidades de emprego, que exigem comprovante de residência para formalizar a contratação.

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Atualmente, Fernando está morando em um alojamento da própria empresa que o contratou, até que consiga se estabelecer financeiramente para arcar com os custos de um aluguel. Para ele, a conquista é motivo de orgulho.

— É como andar de bicicleta, você nunca esquece o que sabe fazer. Não tem como comparar você ser produtivo e não produtivo. Estar sem produzir por uma situação que você mesmo criou é degradante. Mas eu nunca baixei a cabeça, nunca me dei por vencido — relatou ele à equipe da prefeitura.

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Novos objetivos

Natural de Lages, Fernando compartilha uma história especial com Navegantes, ele casou na cidade há 39 anos, e o município é o local de nascimento dos dois filhos mais velhos. Após o fim do casamento, o morador afirma ter feito escolhas erradas e ido parar nas ruas devido ao vício em drogas.

Agora que está reabilitado e empregado, Fernando deseja se reaproximar da filha, com quem perdeu o contato. O desejo do trabalhador é viajar ao Paraná para reencontrá-la e reconstruir os vínculos familiares.

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— Ela sempre me convidou, mas eu nunca tive coragem de ir. Me apresentar de que jeito? Não adianta você cortar o cabelo, fazer a barba, se o interior da pessoa está um caco. Agora vai ser diferente. Poder pegar meus netos, tomar um sorvete.  Agora eu quero chegar lá com dignidade — conclui.