O Brasil inicia 2026 com a economia no centro do debate eleitoral. Com a opinião pública dividida — pesquisas recentes apontam aprovação de 47% e desaprovação de 49% — o mercado financeiro e as famílias entram em alerta. Esse cenário de polarização, somado à taxa Selic em 14,90%, pode retrair o consumo e manter o custo de vida sob pressão constante.
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De acordo com o Banco Central, a projeção de crescimento do PIB para este ano fica entre 1,6% e 1,8%. Trata-se de uma desaceleração real causada, em parte, pela cautela de empresas em investir antes da definição do cenário sucessório para 2027.
O calendário das urnas e o valor do dólar
As datas da Justiça Eleitoral funcionam como um termômetro para os preços. Cada movimentação política altera a confiança e, consequentemente, a cotação da moeda:
- Março e abril (janela partidária): período de trocas de partido que sinaliza a força do governo no Congresso. Historicamente, gera oscilação no dólar entre 3% e 5%.
- Dia 6 de maio (prazo do título): marco técnico que oficializa o eleitorado e aumenta o foco em promessas de gastos públicos.
- Julho e agosto (convenções): é o momento de maior volatilidade. O mercado avalia se os planos econômicos têm responsabilidade fiscal ou tendem ao populismo.
- Dia 4 de outubro (1º turno): a renovação da Câmara e do Senado definirá a facilidade para aprovar novas leis econômicas no futuro.
Por que a política faz o preço subir?
A relação entre as urnas e o seu bolso acontece pelo que especialistas chamam de “risco-país”. Se há dúvida sobre o controle das contas públicas, o dólar sobe e o impacto é imediato:
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- No supermercado: como o Brasil importa insumos para agricultura e indústria, o dólar pressionado encarece desde o pão francês (trigo) até eletrônicos.
- No crédito: com os juros em 14,9%, o financiamento fica proibitivo. A XP Investimentos estima que esse patamar reduziu o poder de compra das famílias em 7% nos últimos meses.
- No salário: a inflação (IPCA), projetada em 3,97% pela FGV, corrói o salário real, dificultando o fechamento das contas no fim do mês.
Proteja seu bolso em 2026
Com os juros no topo, a recomendação é de cautela financeira:
- Renda fixa como aliada: o Tesouro Selic beneficia-se da taxa de 14,9%, sendo o melhor lugar para sua reserva de emergência hoje.
- Adie grandes compras: se possível, evite novos financiamentos de carros ou imóveis enquanto as taxas não sinalizarem queda.
- Foco no longo prazo: o cenário deve permanecer instável até outubro. Evite decisões bruscas de investimento baseadas em boatos de redes sociais.
Atenção: este conteúdo tem caráter informativo e baseia-se em indicadores do Banco Central, XP Investimentos e FGV. O cenário econômico está sujeito a alterações conforme novos indicadores oficiais e fatos políticos.
*Sob supervisão de Luiz Daudt Junior.











