Com 99,85% das urnas apuradas no Peru, a candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma vantagem insuperável no segundo turno das eleições presidenciais na noite de terça-feira (23). Com 50,118% dos votos, ela deve ser eleita presidente do país. O adversário Roberto Sánchez não reconhece o resultado e alega “fraude em curso” do processo de contabilização dos votos.

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Às 2h de quarta-feira (24), Fujimori estava com 9.206.241 votos, frente os 9.162.855 de Sánchez, que contabiliza 49,82% dos votos. Faltam cerca de 40 mil a serem contabilizados, no entanto, mesmo que Sánchez levasse todos os votos restantes, Fujimori seguiria à frente, segundo o g1.

Sánchez não reconhece o resultado

Sánchez, o candidato de esquerda, afirmou em coletiva de imprensa na terça-feira que não reconhece o resultado. O adversário de Fujimori convocou seus apoiadores para um protesto no sábado (27). Na noite da última sexta-feira (19), o peruano já havia marchado pelas ruas de Lima ao lado de manifestantes de esquerda, pedindo “justiça eleitoral” e “transparência”.

“Eles nos negam o direito de protestar e alegam que esta manifestação é ilegal por meio de um documento. Sequer permitem a expressão democrática de pessoas que desejam se manifestar e exigir justiça eleitoral, o devido processo legal e transparência. Claramente, isso não é um padrão democrático. Apesar de tudo isso, (…) nosso povo está aqui”, afirmou.

Campanha contra votos do exterior

O partido de Sánchez, Juntos por el Peru, entrou com ações judiciais junto à Justiça eleitoral para anular os votos de Lima e do exterior, alegando padrões de votação que favoreceram Fujimori e alterações nas regras que afetaram os votos vindos de fora do país. Antes destas cédulas serem contabilizadas, o esquerdista chegou a liderar a apuração.

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Os votos vem sendo apurados desde o dia 7 de junho. No estrangeiro, Fujimori tem 63.206% dos votos; já no Peru, Sánchez está ligeiramente à frente com 50.110%.

“Buscamos a democracia com Roberto Sánchez como presidente do Peru porque ele tem a maioria dos votos em todo o país, em todas as 16 regiões. É um voto limpo que o povo lhe deu, e isso deve ser respeitado. Roberto Sánchez representa a democracia, não a ditadura”, lamentou a professora Alicia Mamani durante a marcha ao lado do candidato de esquerda.

Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido de Sánchez para anular os votos do exterior não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.

A eleições no Peru

Fujimori, que pode se tornar a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência do Peru, afirmou que vai aguardar a conclusão total da apuração antes de reivindicar a vitória. Seu partido terá a maior bancada do Congresso, com 22 cadeiras no Senado e 41 na Câmara dos Deputados.

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O partido de Sánchez conquistou o segundo maior número de cadeiras no Congresso, garantindo 32 das 130 cadeiras na Câmara dos Deputados e 14 das 60 cadeiras no Senado.