Uma descoberta animadora para a conservação da fauna catarinense foi feita no último fim de semana no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Um grupo de 15 bugios-pretos (Alouatta caraya), espécie considerada criticamente ameaçada de extinção no Estado, foi registrado durante uma pesquisa realizada por integrantes do Núcleo de Estudos de Vida Selvagem da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), campus de São Miguel do Oeste.

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O achado foi feito pelo biólogo Jackson Preuss, que destacou a importância do registro para a biodiversidade catarinense. Segundo ele, não havia registros recentes da espécie nos remanescentes florestais monitorados pela equipe de pesquisa.

— Foi uma grande felicidade encontrar esse grupo. Observamos machos, fêmeas e também filhotes, o que demonstra que existe uma população estabelecida e em reprodução na região — afirmou.

O bugio-preto é uma das duas espécies de bugios encontradas em Santa Catarina. Enquanto o bugio-ruivo possui distribuição mais ampla pelo Estado, o bugio-preto está restrito a pequenas populações isoladas no Extremo-Oeste, especialmente em áreas próximas à fronteira com a Argentina.

A espécie apresenta dimorfismo sexual, característica que faz com que machos e fêmeas tenham aparências diferentes. Os machos possuem pelagem escura, quase preta, enquanto as fêmeas e os indivíduos jovens apresentam coloração mais clara, variando entre tons de branco e caramelo.

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Considerado um dos maiores primatas da América do Sul, o bugio-preto pode atingir cerca de sete quilos na fase adulta. O animal vive predominantemente nas copas das árvores e tem alimentação baseada principalmente em folhas.

Segundo os pesquisadores, o registro reforça a importância da preservação dos remanescentes florestais da região, que ainda conseguem sustentar populações de espécies altamente ameaçadas.

Entre as principais ameaças ao bugio-preto estão a perda e a fragmentação do habitat, a caça ilegal, os atropelamentos e ataques de cães domésticos durante os deslocamentos terrestres. Além disso, surtos de febre amarela registrados nos últimos anos provocaram quedas expressivas nas populações de primatas em diversas regiões do Brasil.

— Em alguns locais, estima-se que até 80% dos indivíduos tenham morrido em decorrência da doença. Por isso, encontrar um grupo como esse representa uma esperança para a conservação da espécie — destacou Preuss.

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Por questões de segurança e para evitar possíveis ações de caçadores, os pesquisadores não divulgaram a localização exata onde os animais foram encontrados.

A equipe da Unoesc pretende dar continuidade ao monitoramento da população identificada, acompanhando seu desenvolvimento e contribuindo para estratégias de conservação da espécie no estado.