Se o PT nacional vive um momento difícil diante das revelações de esquemas de corrupção na Petrobras pela Operação Lava-Jato, em Santa Catarina os efeitos do escândalo são um obstáculo a mais para os petistas locais, que vivem processo de reconstrução após as derrotas eleitorais de 2014 e 2012.

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Sem nomes citados até agora nas investigações que envolvem a maior estatal brasileira, o PT catarinense mira a ocupação dos cargos federais com nomes conhecidos como forma de fortalecer o partido e melhorar a imagem do governo Dilma Rousseff junto aos eleitores do Estado.

Nessa disputa, o enfrentamento tem como personagens as próprias lideranças locais do partido, tradicionalmente subdividido e ainda cicatrizando as feridas das eleições de outubro – quando viram Aécio Neves (PSDB) conquistar a maior vitória em Santa Catarina e a redução das bancadas federal e estadual petistas deixaram ao léu nomes tradicionais como Carlito Merss, Luci Choinacki, Jailson Lima, Volnei Morastoni, além de Claudio Vignatti, que foi terceiro colocado na disputa pelo governo do Estado.

Não por acaso, esses são os nomes indicados pelo partido para ocupar cargos de segundo e terceiro escalões geralmente dedicados a afilhados políticos. A principal disputa envolve a presidência da Eletrosul, principal cargo federal no Estado. A vaga é ocupada desde 2008 por Eurides Mescolotto e tida como cota da ministra Ideli Salvatti (PT). Dois nomes disputam o posto no PT: Vignatti e Jailson, embora Mescolotto corra por fora. Além da disputa interna, existe a cobiça dos aliados. O PMDB almeja o posto para o ex-deputado federal e ex-prefeito de São José Djalma Berger, irmão do senador Dário Berger (PMDB).

Em outro cargo considerado estratégico, a superintendência regional do DNIT, a queda de braço também é contra um partido da base aliada. Os petistas lançaram mão de Carlito Merss, ex-deputado federal e ex-prefeito de Joinville para o órgão pelas principais obras federais no Estado. Precisam, no entanto, desalojar o PR do atual superintendente Visselar Pretto, indicado pelo deputado federal Jorginho Mello.

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Se ainda há disputas internas por algumas vagas, a estratégia de ocupar os cargos com nomes do partido que não conseguiram mandatos nas urnas é defendida em bloco, apesar da discussão nacional sobre cargos em estatais seguir no sentido oposto. O deputado federal Décio Lima é enfático:

– Esses nomes trazem um compromisso efetivo com a causa. Uma coisa é a ocupação técnica, outra é da paixão na política.

Presidente estadual do partido, Vignatti defende a prioridade aos petistas em relação aos aliados, especialmente os que disputaram as eleições. Vai além e aponta a necessidade de substituir todos os atuais titulares.

– Boa parte dos ocupantes desses cargos não se envolveram no processo eleitoral – reclama.

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.:: Lideranças do PT-SC culpam financiamento eleitoral por escândalos da Lava-Jato

Tradicionamente dividido e envolvido em rivalidades internas, o PT catarinense também têm sido uníssino na defesa de que o partido não pode ser apontado como único responsável pelas supostas irregularidades apontadas pelas investigações da Operação Lava-Jato. Para os petistas, escândalos são derivados do atual sistema político, especialmente em função do financiamento privado das campanhas eleitorais.

– A doação legal, na forma como o PT recebeu, os outros também receberam. A (construtora) Mendes Junior doou para o PT e doou para o PSDB. Com os outros não é propina? – questiona Décio Lima.

Nesse contexto, os petistas catarinense projetam as eleições municipais de 2016 como um degrau de olho em voos maiores adiante. Em 2012, o partido conquistou 44 prefeituras, mas perdeu Joinville, a maior cidade do Estado e não elegeu nenhum prefeito entre as 10 cidades mais populosas. Para retomar espaço, a estratégia deve ser caso a caso. O partido deve vir com força em Blumenau, onde conta com Décio e a mulher Ana Paula Lima, deputada estadual, e Chapecó – cidade do deputado federal Pedro Uczai e da deputada estadual Luciane Carminatti. Em outros centros, como Florianópolis e Joinville, a aposta pode ser de olho no futuro.

– Nós vamos crescer nos menores municípios e em alguns locais lançar candidaturas para formação de lideranças mirando a eleição seguinte – afirma Vignatti, que é presidente estadual do partido.

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