A safra do arroz em Santa Catarina tem quebrado recordes de produtividade em 2025, com uma média de 8,73 toneladas por hectare. No entanto, a supersafra contrasta com valores baixos, que atingem diretamente os produtores. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o preço caiu mais de 30% em comparação com 2024.

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A região Sul é a maior produtora do Estado, correspondendo a 67% dos mais de 145 mil hectares plantados. Os municípios com as maiores áreas de cultivo são Turvo, com 11,7 mil hectares, Meleiro com 10 mil e Forquilhinha com 9,6 mil.

A produção nessas cidades foi acima da safra anterior, devido ao uso de cultivares de alto potencial, melhorias no manejo e à regularidade do clima durante o ciclo.

No entanto, em abril, por exemplo, de acordo com a Epagri, o produto foi comercializado com preços 30,38% em comparação com o mesmo período de 2024.

A saca de 50 quilos foi vendida a R$ 73,11. Além disso, entre janeiro e abril de 2025, as exportações catarinenses de arroz somaram US$ 733,99 mil, uma queda de 44% em relação ao ano passado.

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A analista do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), da Epagri, Glaucia Padrão, explica que o segundo semestre tende a ser desafiador, com pressão sobre os preços, mesmo que o período de entressafra habitualmente favoreçam a valorização.

— Este ano temos um fator de pressão baixista mesmo na entressafra, porque a oferta segue elevada e o Mercosul também tem produção competitiva. Para os produtores catarinenses, o cenário é de atenção redobrada e gestão estratégica da comercialização, não indicando grandes mudanças nos preços — afirma.

Os principais destinos da exportação foram Trinidad e Tobago, Cuba e Senegal. A perda de competitividade frente a países vizinhos com menores custos de produção tem dificultado o escoamento da safra brasileira.

Conforme a analista, outro fator a ser considerado é a crise entre Índia e Paquistão, grandes exportadores mundiais, que podem favorecer o Brasil no mercado europeu e africano.

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Prejuízos para a indústria arrozeira

No Sul do Estado, os prejuízos não atingiram apenas os produtores locais, mas também a indústria, que comercializa o arroz em solo catarinense e envia o produto para outras regiões, como Norte e Nordeste.

— Neste momento estamos tendo prejuízo, porque durante a safra compramos esse arroz com custo mais alto, que era o preço do momento. Nós temos um custo de compra do produto mais alto e estamos vendendo por um preço bem abaixo — ressalta Arlindo Manenti, presidente da Cooperativa Regional Agropecuária Sul Catarinense (Coopersulca), de Turvo.

Ele complementa que em especial o Extremo-Sul Catarinense, tem característica de pequenos produtores, que acabaram vendendo pouco para sanar os débitos e manter suas propriedades. Turvo, por exemplo, deve movimentar ao todo, R$ 170 milhões.

— Estamos em uma fase de transição, antes a gente produzia mais, sobravam estoques, e agora a cada ano estão sendo consumidos esses estoques que existiam. Nós vamos sair de um ano que temos uma supersafra e talvez ano que vem colheremos menos do que iremos consumir, com o consumidor tendo que pagar quase R$ 30 reais no pacote, diferente desse ano, que pagam R$ 15 — ressalta Vlamir Antonio Brandalizze, consultor de mercado agrícola.

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Alternativas de mercado

Santa Catarina obteve uma colheita com mais de 1,2 milhão de toneladas de arroz irrigado. Segundo Vlamir, parte desse produto pode ser destinado a diversas atividades, além de ir para o prato do consumidor.

— Hoje se usa arroz até para produzir ração, por exemplo. Quando se tem o excesso temos outras alternativas, como a fabricação de cerveja e eu acredito que devemos ver nos próximos anos a indústria de etanol de arroz, assim como é feito com o milho. Isso deve ser potencializado pela exportação — completa.

O Sul catarinense também oferece variedades diferentes do grão. De acordo com a Epagri, o arroz branco prevalece, mas é comum encontrar outros tipos, como arroz pérola, arroz preto e o vermelho.

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