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    Em novo pronunciamento, Bolsonaro distorce OMS e volta a igualar empregos e vidas ante coronavírus

    Presidente fez pronunciamento em rede nacional de rádio e TV 

    31/03/2020 - 19h47 - Atualizada em: 01/04/2020 - 05h33

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    Por Folhapress
    Bolsonaro faz pronunciamento sobre medidas do Brasil no combate à crise pelo coronavírus
    Bolsonaro faz pronunciamento sobre medidas do Brasil no combate à crise pelo coronavírus
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    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a distorcer declaração do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para embasar seu discurso de equiparação do salvamento de empregos ao de vidas diante da pandemia do coronavírus. A fala ocorreu durante novo pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, na noite desta terça-feira (31).

    - Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos. [...] Por outro, temos que combater o desemprego. Vamos cumprir esta missão ao mesmo tempo que cuidamos da saúde das pessoas - disse Bolsonaro no pronunciamento.

    Assista na íntegra:

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    No entanto, Bolsonaro tirou de contexto a fala de Tedros Adhanom Ghebreyesu. A frase completa de Tedros é: "Cada indivíduo é importante, cada indivíduo é afetado pelas nossas ações. Qualquer país pode ter trabalhadores que precisam trabalhar para ter o pão de cada dia. Isso precisa ser levado em conta".

    Bolsonaro afirmou que "temos que evitar ao máximo qualquer perda de vidas humanas", mas disse que "ao mesmo tempo, devemos evitar a destruição de empregos, que já vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros".

    No pronunciamento, Bolsonaro mudou o tom que vinha adotando em relação ao coronavírus, pandemia à qual já se referiu como "uma gripezinha". Nesta terça, disse que "estamos diante do maior desafio da nossa geração".

    O presidente, que já defendeu o uso da hidroxicloroquina para o combate à Covid-19, inclusive aparecendo com caixas do medicamento na mão, admitiu que "ainda não existe vacina contra ele ou remédio com eficiência comprovada".

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    Bolsonaro elencou medidas anunciadas pelo governo tanto na saúde como na economia:

    - Temos uma missão: salvar vidas sem deixar para trás os empregos. Por um lado, temos que ter cautela e precaução com todos, principalmente junto aos mais idosos e portadores de doenças pré-existentes. Por outro, temos que combater o desemprego, que cresce rapidamente, em especial entre os mais pobres. Vamos cumprir esta missão. Ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde das pessoas - disse.

    Segundo Bolsonaro, "o coronavírus veio e um dia ira embora, infelizmente teremos perdas neste caminho. Eu mesmo já perdi entes queridos no passado e sei o quanto é doloroso. Todos nós temos que evitar ao máximo qualquer perda de vida humana". Bolsonaro reconheceu que ainda não há remédio para o coronavírus, "apesar de a hidroxicloroquina parecer bastante eficaz". Ele afirmou também que os laboratórios militares produzirão, em 12 dias, 1 milhão de comprimidos de cloroquina, além de álcool em gel.​

    O presidente justificou a ênfase que tem dado no aspecto econômico da Covid-19 alegando que precisa pensar "além dos próximos meses".

    - O efeito colateral de medidas de combate ao coronavírus não pode ser pior do que a própria doença. A minha obrigação como presidente vai para além dos próximos meses. Preparar o Brasil para sua retomada, reorganizar nossa economia e mobilizar todos os nossos recursos e energia para tornar o Brasil ainda mais forte após a pandemia.

    Alvo de críticas constantes, também mudou seu tom em relação ao Congresso e aos governadores.

    - Com este mesmo espírito, agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade - disse Bolsonaro.

    Esta é a quarta vez que o presidente chama o sistema de rádio e TV para falar do novo coronavírus. Na última ocasião, na terça-feira (24) da semana passada, ele foi incisivo nas críticas ao distanciamento social e ao isolamento da população, recomendados por autoridades sanitárias, entre elas o próprio Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

    O discurso aprofundou a crise no país, causou perplexidade em associações médicas, estimulou panelaços contra o presidente e ampliou o seu isolamento político.

    No sábado (28), em reunião no Palácio da Alvorada, ministros fizeram um apelo para que Bolsonaro alinhasse suas falas às orientações técnicas do Ministério da Saúde, que aposta no recolhimento como estratégia para frear o avanço da Covid-19 e, com isso, evitar um colapso do sistema de atendimento.

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    No dia seguinte, contudo, ele fez giro pelo comércio de Brasília, provocando aglomerações, e defendeu que parte das pessoas saia às ruas para trabalhar, como fazia antes. Disse ainda que cogitava editar norma liberando atividades país afora.

    "Eu estou com vontade, não sei se eu vou fazer, de baixar um decreto amanhã: toda e qualquer profissão legalmente existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para levar o sustento para os seus filhos, para levar leite para seus filhos, para levar arroz e feijão para casa, vai poder trabalhar", afirmou.

    Twitter, Facebook e Instagram apagaram das contas do presidente posts do passeio dominical por entender que eles estimulavam a desinformação e poderiam causar danos à coletividade. Foi a primeira vez que isso ocorreu com um mandatário brasileiro.

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