Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mostram que, em Santa Catarina, 18,12% das crianças de 5 a 10 anos estavam acima do peso e 16,83% eram consideradas obesas, entre os anos de 2019 e 2022. Entre os adolescentes, 20,55% apresentavam sobrepeso e 15,16% obesidade.

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As médias de sobrepeso e obesidade nesses dois públicos em Santa Catarina estão acima das médias do Brasil. Durante o período de 2019 a 2022, 15,61% das crianças brasileiras estavam com sobrepeso e 15,66% estavam obesas. Já entre os adolescentes brasileiros, 19,21% estão acima do peso, enquanto 11,75% tem obesidade.

Para a endocrinologista pediátrica Jéssica Malmann, a obesidade infantil tem muita relação com o fato de as crianças estarem consumindo alimentos ultra processados e tendo uma rotina cada vez mais sedentária.

— O consumo de alimentos ultra processados, como bolachas, iogurtes e guloseimas, que aumentam a palatabilidade e são muito calóricos, geram muita energia. Junto a isso, as crianças estão praticando menos atividade física e estão com um tempo de tela muito grande, em frente à televisão, videogame, celular e tablet. Isso contribui para que se diminua o gasto calórico, e obesidade infantil se torna prevalente — explica a médica.

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Jéssica também explica que a obesidade é uma doença com uma predisposição genética, mas o estilo de vida tem o maior impacto na sua manifestação.

— Mesmo que uma criança tenha uma predisposição grande à obesidade, se ela tiver um estilo de vida saudável, com atividade física regular e uma alimentação saudável, o risco dela ter obesidade é muito menor.

Obesidade pode chegar a 50% até 2035

A obesidade e o sobrepeso devem atingir metade das crianças e adolescentes do Brasil até 2035. Os dados são do Atlas Mundial da Obesidade 2024, divulgado em março deste ano. A pesquisa reúne 186 nacionalidades e foi publicada pela World Obesity Federation (Federação Mundial de Obesidade), organização focada na redução, prevenção e tratamento da doença, segundo informações do g1.

Segundo o Atlas, o Brasil tinha 15,6 milhões (34%) do público de 5 a 19 anos com excesso de peso em 2020. Neste ritmo, o número pode saltar para cerca de 20 milhões de jovens com sobrepeso (50%) em 2035.

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O Índice de Massa Corporal (IMC) — peso em quilos dividido pela altura ao quadrado — foi o cálculo utilizado para realizar o estudo. Entre 25 e 29,9 é considerado sobrepeso. Superior a 30, é obesidade.

— Nenhuma região do mundo está imune aos efeitos da obesidade e os mais pobres são os que mais sofrem, em idades cada vez mais jovens — aponta o documento.

No mundo, a Federação Mundial de Obesidade diz que, se o ritmo atual permanecer até 2035, 770 milhões de crianças e adolescentes devem viver com sobrepeso e obesidade — com um aumento de 22% em 2020 para mais de 39% até 2035.

Obesidade em adultos

Ainda segundo o Atlas Mundial, 3,3 bilhões de adultos no mundo poderão ser afetados pela doença até 2035, contra 2,2 bilhões em 2020 — um aumento de 42% para mais de 54%.

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Os dados de obesidade infantil podem impactar a obesidade na vida adulta. Segundo a endocrinologista Jéssica Malmann, a maioria das crianças que mantêm a obesidade durante a infância serão adultos obesos.

— Já na infância, começam a surgir problemas de hipertensão, diabetes e até colesterol alto. Doenças que a gente acreditava serem doenças de adultos, a gente está começando a ver na infância e na adolescência. Se esses problemas, que antes eram problemas de idosos, já estão acontecendo desde a infância, o risco dessas doenças se agravarem na idade adulta e causarem complicações como doenças renais, infarto, AVC, é muito grande. Até mesmo o risco de câncer aumenta com a obesidade — pontua a médica.

Uma das maneiras de prevenir a obesidade infantil, segundo a endocrinologista, é que a família da criança tenha um estilo de vida saudável.

— Se a criança crescer em um ambiente saudável, onde vê os adultos praticando atividade física, tendo uma alimentação saudável, com o máximo de alimentos naturais e evitando os ultra processados, a gente já tem uma prevenção contra a doença. Além disso, é indispensável o acompanhamento pediátrico regular, porque assim o pediatra consegue detectar a doença no início, quando ainda é sobrepeso.

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Ela também explica que, caso a criança já esteja obesa, deve-se procurar uma equipe multidisciplinar para a intervenção: pediatra, endocrinologista pediátrico, nutricionista e também um psicólogo.

— É importante que tenha uma equipe acompanhando [a criança] para que as orientações sejam dadas de forma adequada e sensível, e para que não sejam gerados estigmas acerca da obesidade.

Caso a intervenção com atividade física e alimentação não seja suficiente, hoje em dia há medicações que podem ser usadas e apresentam bons resultados, principalmente a partir dos 12 anos, segundo a médica.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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