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Decreto dos portos

Em SC, Marun comenta prisão de amigos de Temer em operação da PF

Ministro da Secretaria de Governo disse que ainda não tem conhecimento dos motivos das prisões e negou que o decreto dos portos beneficie a empresa Rodrimar

29/03/2018 - 07h51 - Atualizada em: 29/03/2018 - 09h04

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Por Redação NSC
Ministro esteve em SC para anunciar aumento no repasse mensal para a saúde do Estado
Ministro esteve em SC para anunciar aumento no repasse mensal para a saúde do Estado
(Foto: )

Em Santa Catarina para anunciar o repasse de recursos para a saúde, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, comentou sobre a prisão de amigos do presidente Michel Temer em operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira. Marun disse que ainda não conversou com o presidente e pediu imparcialidade na condução das investigações sobre o decreto dos portos, que teria beneficiado a empresa Rodrimar.

— Ainda não temos conhecimento específico dos motivos que levaram a ela (prisão). Mas o que nós temos é uma dúvida em relação aos motivos e uma certeza, de que os decretos dos portos não beneficia a Rodrimar. Essa certeza continua e, por isso, nós temos a mais absoluta convicção de que havendo clareza, havendo imparcialidade na condução das investigações chegaremos à óbvia conclusão, até porque repito, o decreto dos portos não beneficia a Rodrimar, é que ao final restará esclarecida a absoluta inocência do presidente em relação a tudo isso — disse Marun.

O ministro também negou o enfraquecimento do governo Temer com o avanço das investigações da PF.

— Tenho certeza de que se isso não for tratado com parcialidade e sensacionalismo não enfraquece o governo, porque o governo Temer não tem nada com isso — disse.

Na manhã desta quinta, a PF deflagrou a Operação Skala. A decisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. O advogado José Yunes, amigo e ex-assessor do presidente, é um dos presos.

A operação também prendeu Celso Grecco, dono da empresa Rodrimar, empresa que atua no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (PMDB).

Outro amigo de Temer que também foi detido pela PF é o Coronel João Baptista Lima Filho. Chamado a depor, o coronel aposentado da PM paulista apresentou sucessivos atestados médicos. Relatório da PF mostra 12 telefonemas entre Lima e Temer na época da edição do decreto. A PF também apreendeu documentos em que Lima aparece pagando despesas da família do presidente.

Entenda o caso

O inquérito para apurar se a Rodrimar pagou propina para obter vantagens no decreto dos Portos foi aberto após a delação premiada de Joesley Batista e outros executivos da JBS.

Além de Temer, Yunes e os donos da Rodrimar, outras pessoas são investigadas no caso, como o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures — ex-assessor de Temer flagrado carregando uma mala de dinheiro — e o coronel João Baptista Lima Filho, também amigo do presidente.

Temer é investigado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O decreto foi editado em maio de 2017, e ampliou de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessão e arrendamento de empresas que atuam em portos. O novo texto também permite a prorrogação de contratos por até 70 anos.

Contraponto

O advogado de Yunes, José Luis de Oliveira Lima, informou que se trata de uma prisão temporária de cinco dias.

— É inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania — afirmou Oliveira Lima.

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