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Em vídeo, Alvim cita ministro da propaganda de Hitler e provoca onda de repúdio 

Secretaria Especial de Cultura copiou trechos de discurso de Goebbels ao divulgar o Prêmio Nacional das Artes  

17/01/2020 - 08h30 - Atualizada em: 17/01/2020 - 20h45

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Por Folhapress
Discurso de Alvim utilizou trechos de fala nazista
Discurso de Alvim utilizou trechos de fala nazista
(Foto: )

Um vídeo em que o secretário da Cultura Roberto Alvim copia trechos de discurso de Goebbels, ministro de cultura e comunicação de Hitler, sobre as artes provocou uma onda de indignação nas redes sociais na madrugada desta sexta-feira (17). O vídeo foi postado pela Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, lançado horas antes em live com a participação do próprio presidente.

— A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada — disse o ministro de cultura e comunicação de Hitler em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich.

— A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada — afirmou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

Comparação com propaganda nazista

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter durante a madrugada e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler.

Uma das referências no vídeo é a música de fundo, que veio da ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida. O pronunciamento de Alvim foi gravado em uma sala que tem o retrato do presidente Jair Bolsonaro ao fundo, a bandeira brasileira de um lado e uma cruz do outro.

Ele começa citando um pedido do presidente: que a cultura não destrua e sim salve a juventude brasileira.

— A cultura é a base da pátria. Quando a cultura adoece, o povo adoece junto. E é por isso que queremos uma cultura dinâmica, mas ao mesmo tempo enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes — disse o secretário.

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Segundo ele, o Prêmio Nacional das Artes vai gerar milhares de empregos, capacitação profissional e formação de público.

— Trata-se de um marco histórico nas artes brasileiras. De relevância imensurável. E sua implementação e perpetuação ao longo dos próximos anos irá redefinir a qualidade da produção cultural em nosso país — completou.

Abaixo, veja o vídeo no canal de O Globo no YouTube.

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Sobre o prêmio

Em sete categorias, o prêmio vai selecionar cinco óperas, 25 espetáculos teatrais, 25 exposições individuais de pintura e 25 de escultura, 25 contos inéditos, 25 CDs musicais e 15 propostas de histórias em quadrinhos.

Dramaturgo, Alvim ganhou a simpatia de Bolsonaro ao defender o presidente nas redes sociais e ao atacar a atriz Fernanda Montenegro, dizendo sentir "desprezo" por ela.

Na Secretaria Especial da Cultura, coleciona polêmicas, como a nomeação do jornalista e militante de direita Sérgio Nascimento de Camargo para a presidente da Fundação Palmares. A nomeação foi suspensa após uma grande mobilização contra afirmações de Camargo consideradas racistas.

Esta semana, Alvim ironizou a indicação de "Democracia em Vertigem" na categoria de melhor documentário longa-metragem do Oscar dizendo que a produção deveria estar na categoria ficção.

Dirigido pela cineasta mineira Petra Costa, o filme acompanha o impeachment de Dilma Rousseff a partir de uma visão particular da diretora.

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