A solidariedade ganha cada vez mais espaço em meio à dor na creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau. Após o pedido da direção por voluntários para reformar a área externa da unidade, dezenas pessoas se mobilizaram para ajudar. O empresário Ademar Dellandreia, por exemplo, levou toda a equipe ao local. Desde a última quarta-feira (12) eles estão juntos erguendo o muro do CEI.

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— O Márcio, que é nosso pedreiro, comentou comigo que viu na internet que estavam precisando de gente, aí eu vim na creche para ver. Falaram que tinham tijolo, cimento, areia, mas faltava pessoal. Então voltei na obra e disse ao Márcio que ele e os outros funcionários podiam vir para cá comigo — conta.

Ademar diz que a maioria da equipe se prontificaria a trabalhar na unidade de graça no sábado e domingo, mas resolveu dispensá-los da obra em que estavam empenhados, com o pagamento garantido, para que ao final de semana todos possam descansar. O olhar sensível ao próximo é de um devoto, que vê na atitude dele e da equipe um exemplo prático do amor pregado por Deus.

— A gente está fazendo o que pode. Nós não conhecíamos as crianças, nem as professoras, mas só de saber o que aconteceu, isso deixa a gente atordoado — desabafa.

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Enquanto corta as barras de ferro que vão reforçar o muro da unidade, Ademar cita os netos de dois e seis anos e se questiona se a tragédia tivesse sido com a família dele. Tímido, de cima do andaime onde está concretando os tijolos, Márcio só confirma com a cabeça que também tem filhos. Não seria preciso ter gerado filhos para se sensibilizar, mas o fato de terem crianças próximas deixa a dor mais latente.

— O bem sempre tem que estar acima do mal — frisa o empresário.

O Cantinho Bom Pastor deve reabrir as portas na próxima segunda-feira (17). Até lá, uma força-tarefa de pais e voluntários se mobiliza para dar uma nova cara ao parque onde ocorreu a chacina. A unidade também está recebendo outra pintura, ganhou um parquinho para substituir o anterior e uma empresa se prontificou até mesmo a trocar as cortinas das salas para mudar o visual antes do retorno dos pequenos.

O muro interno do parque, por exemplo, será pintado de branco e os próprios alunos vão poder se expressar o colorindo. A retomada deve ser marcada por acolhimento, sem atividades pedagógicas.

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