Em 1969, Neuwton Rodrigues desembarcou com a família em Joinville em busca de oportunidades mais prósperas. Natural de Imaruí, no Sul catarinense, ele tinha apenas 20 anos na época e ainda não sabia que fundaria um dos comércios mais tradicionais da maior cidade de Santa Catarina: o Supermercado Rodrigues, no bairro Aventureiro, que acabou sendo vendido em 2024.
Continua depois da publicidade
Na época, o imaruense se estabeleceu no bairro Cubatão e, diariamente, cruzava a Rua Tuiuti de bicicleta para trabalhar na Tupy, onde atuou de 1971 a 1974. Hoje com 76 anos, Neuwton ainda traz na memória o dia que chegou na cidade.
— Em 1969, o nosso caminhão de mudança atolou ali em frente ao Alvorada, porque estava chovendo, para variar — lembra rindo do episódio.
Leia mais: As faces de Joinville: quem são as pessoas que constroem o dia a dia da maior cidade de SC
Depois, a família vendeu o terreno onde morava e resolveu investir no espaço onde, em 1980, seria inaugurado o primeiro negócio da família em Joinville, o Supermercado Rodrigues.
Continua depois da publicidade
— Eu não imaginava onde a gente ia chegar. Quando a gente iniciou, era um pequeno comércio para dar sustento à família e o negócio foi crescendo, foi crescendo — relata.
Foram 44 anos de operação desde a fundação até a venda do supermercado em 2024. Durante este período, os Rodrigues iniciaram um outro empreendimento: um pátio, que também leva o sobrenome da família, onde diversos tipos de estabelecimento se instalaram, criando um complexo comercial. O Supermercado Rodrigues, âncora do negócio, foi vendido há dois anos para uma cooperativa. O objetivo da família era dedicar foco total ao pátio.
— Do local que a gente estava, onde hoje é a Farmácia Catarinense, a gente adquiriu esse imóvel que hoje é o Rodrigues. Não tinha nada, era zerado. Era uma montanha, um morro aqui atrás e foi retirando esse barro, fomos baixando e construímos então o supermercado Rodrigues, onde hoje está instalada a cooperativa — relembra.
Durante as mais de quatro décadas de operação do mercado, o empreendimento se tornou ponto conhecido pelos moradores, já que ficava localizado em uma das ruas mais movimentadas do bairro, a Rua Tuiuti.
Continua depois da publicidade
Neuwton destaca que, lá no início, antes mesmo da inauguração do mercado, havia poucas casas no Aventureiro, as ruas ainda eram de barro e a circulação dos ônibus da cidade era limitada.
— O ônibus que vinha para o bairro tinha como última parada o Salão do Aventureiro. Dali para cá não tinha mais ônibus e tinham pouquíssimas residências — conta.
Naquele tempo, Neuwton foi um dos responsáveis por criar valetas e abrir algumas “picadas”, que são caminhos estreitos, trilhas ou atalhos abertos no meio da vegetação densa para permitir a passagem de pessoas ou veículos pequenos.
Essa iniciativa se fez necessária já que naquele tempo a cidade, como os joinvilenses conhecem hoje, ainda ganhava forma. Grande parte dos bairros era tomado pelo verde e a demanda habitacional crescia a cada dia.
Continua depois da publicidade
— A gente começou limpando e fazendo valos, enxugando o terreno. Se você comprava um terreninho aqui, você ia construir, precisava fazer valetas, precisava aterrar. Isso era tudo manual porque não tinha máquina, era à base do carrinho de mão — explica.
Décadas depois, a evolução é nítida. Com a maioria das ruas asfaltadas na região, comércios abundantes e casas estabelecidas, o fundador do Supermercado Rodrigues percebe a transformação em comparação a quando chegou, no fim da década de 60.
— Hoje o bairro Aventureiro está ficando um bairro muito completo. Você praticamente não precisa ir para o Centro, você tem tudo aqui. Você tem banco, você tem loja, tem pouca coisa que está faltando — destaca.
Hobby que impulsiona o empresário
Após uma vida dedicada aos empreendimentos Rodrigues, Neuwton concilia a rotina como empresário com o lazer em família. Com três filhos e oito netos, hoje também assume seu papel como avô e aproveita a fase de crescimento dos pequenos.
Continua depois da publicidade
— O neto mais velho tem 19 anos. E o menor agora tem três meses — conta com entusiasmo.
Além disso, o catarinense também dedica seu tempo aos esportes, se exercitando diariamente. Para quem frequenta regularmente o Pátio Rodrigues, não é difícil encontrar Neuwton na academia, que levou o hobby tão a sério que disputou a tradicional Corrida Internacional de São Silvestre em 2025.
— A minha meta era fazer a corrida aos 75 anos, então eu fiz a São Silvestre. Mas a meta que era aos 75, eu pulei para 76 anos, em 2025, porque esse ano passado foi a centenária da São Silvestre — explica.
Mesmo com as atividades em paralelo, Neuwton continua envolvido com os negócios que o trouxeram até aqui. Os corredores do Pátio Rodrigues guardam um legado de memórias e desafios vencidos.






