O avanço da ciência e da tecnologia, especialmente nas duas últimas décadas, nos permitiu evoluir em diversas frentes, principalmente na comunicação. Hoje, é possível conversarmos com uma pessoa do outro lado do mundo em milésimos de segundos, superando barreiras que, anos atrás, eram intransponíveis. Tudo isso graças ao aprimoramento da telefonia e da internet que, em muito, foi alcançado graças aos satélites lançados ao espaço.
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Mas, apesar de tantos avanços, o número de satélites orbitando a Terra se tornou uma das maiores preocupações dos cientistas nos últimos anos. O chamado lixo espacial representa alguns riscos que, para os pesquisadores, merecem atenção.
Atualmente, quase 13 mil satélites ativos estão na órbita da Terra. Se considerarmos os inativos, são mais de 30 mil objetos. O número aumentou mais de dez vezes em relação ao ano de 2010, quanto havia cerca de 950 equipamentos no espaço.
Os fatores que causaram o aumento
A redução dos custos para a produção de satélites e também para enviá-los ao espaço, juntamente com o surgimento de empresas privadas como a SpaceX, do bilionário americano Elon Musk, são os principais causadores desse aumento.
Sozinha, a empresa de Elon Musk conta com mais de 9 mil satélites em órbita – os chamados Starlinks, que fornecem internet de alta velocidade para os usuários. A SpaceX manda para o espaço, anualmente, entre 200 e 300 equipamentos dessa categoria.
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O que pode ser considerado lixo espacial?
Imagine o seguinte cenário: você tem um equipamento em casa que deixa de funcionar e não tem mais conserto. O natural é procurar um local adequado para o descarte ou até mesmo o envio para uma possível reciclagem. Mas, quando falamos em satélites ou qualquer outro dispositivo no espaço, isso ainda não é possível.
Quando um satélite deixa de funcionar, ele fica vagando pelo espaço, inativo. Muitos deles se deterioram, se partem, soltam peças e até mesmo desintegram. Esses equipamentos inutilizados e os respectivos restritos é o que chamamos de lixo espacial.
Ainda não é viável recolher a maioria desse lixo, e eles permanecem na órbita terrestre ou muito próximos do nosso planeta. E é isso que preocupa os cientistas.
Os riscos do excesso de satélites e de lixo espacial
Uma das maiores preocupações é com o risco de acidentes. Um pequeno pedaço de metal viajando pelo espaço pode ter o impacto semelhante ao de uma granada caso atinja algum satélite ou, em um cenário ainda pior, uma sonda ou até mesmo uma nave tripulada de agências como a NASA.
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Esses acidentes podem causar o que é conhecido como Efeito Kessler, e representa um dos maiores medos da comunidade científica atual. Proposta pelo físico Donald Kessler, essa teoria sugere que a densidade de objetos em órbita baixa (LEO) pode se tornar tão alta que uma única colisão geraria uma nuvem de detritos que, por sua vez, atingiria outros satélites.
Se algo semelhante ocorrer, certas órbitas poderiam se tornar inutilizáveis por séculos, impedindo lançamentos de novos satélites de GPS, internet ou até missões tripuladas para Marte ou para a Lua. Além disso, alguns detritos de tamanhos e massas imprevisíveis poderiam cair na Terra, e o resultado desse impacto pode ser catastrófico.

Poluição visual
Além dos riscos de colisões e outros acidentes, um outro ponto incomoda os cientistas: a poluição luminosa. Os satélites emitem luzes que ofuscam outros brilhos no espaço, prejudicando observações e estudos de alguns astros e eventos astronômicos e até mesmo o monitoramento de asteroides.
Satélites de megaconstelações deixam rastros brilhantes em fotos de longa exposição. Mesmo o Telescópio Espacial Hubble tem cerca de um terço de suas imagens afetadas por rastros de satélites que cruzam o raio de ação.
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Projeções indicam que, até 2040, teremos mais de 50 mil satélites em órbita. Isso tornaria quase impossível para telescópios terrestres detectarem asteroides perigosos vindo em direção à Terra, pois eles seriam confundidos com o tráfego de satélites.
