nsc
    an

    História da cidade

    Entenda as etapas da reforma no Museu da Imigração de Joinville, fechado há dois anos

    Empresa responsável pelas obras começou os trabalhos no início desta semana 

    13/01/2020 - 10h21 - Atualizada em: 13/01/2020 - 13h59

    Compartilhe

    Cláudia
    Por Cláudia Morriesen
    foto mostra a fachada do museu, que é branca com detalhes em azul
    (Foto: )

    O Museu Nacional de Imigração e Colonização de Joinville, fechado para visitação desde fevereiro de 2018, passará por obras de restauro, reforma e ganhará uma nova construção o ano de 2020. A empresa responsável pela execução dos trabalhos começou a preparar o terreno para as obras há uma semana, na segunda-feira, 6 de janeiro, com a chegada de equipamentos e montagem do barracão. O prazo para conclusão é dezembro de 2020.

    A Maison Joinville — ou Palácio dos Príncipes, como é mais conhecida — passou pela última grande reforma em 2002, quando recebeu reparos no sistema elétrico, na iluminação artificial, na pintura e nos vidros expositores. Depois disso foram feitas apenas intervenções pontuais — a última foi em 2018, quando o alpendre do segundo piso na lateral direita do casarão foi reformado. Ele estava interditado desde 2012, já que estava envergado e sendo mantido por estacas presas ao solo, e passou por obras que custaram R$ 47 mil pagos com recursos municipais.

    Já a revitalização completa era esperada há pelo menos uma década, mas não havia recursos disponíveis. O restauro da casa principal e a construção de um anexo foram orçados em R$ 2,6 milhões, a partir de um projeto feito em 2015. A Secretaria de Cultura e Turismo de Joinville (Secult) buscou recursos para o restauro do casarão em captações via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet), mas não houve interessados em patrocinar parcialmente ou integralmente a obra no Museu da Imigração em troca de abatimento do valor no imposto de renda.

    Agora, as obras de restauro do casarão e de construção do anexo ocorrem com recursos dos Fundos de Direitos Difusos do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Ele é formado por pagamentos provenientes de condenações judiciais, multas e indenizações para a reparação de danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.

    Entenda as etapas da reforma:

    Retirada de duas árvores do jardim

    foto mostra a árvore da espécie ficus no jardim do museu
    Uma das duas ficus do jardim que serão retiradas porque as raízes afetam a estrutura do imóvel
    (Foto: )

    Duas árvores da espécie Ficus benjamina que estão plantadas no jardim do Museu Nacional de Imigração e Colonização, de frente para a rua Rio Branco, terão que ser retiradas. Estas árvores, que são nativas da Ásia e do Norte da Austrália, chegam a até 30 metros e precisam de muito espaço para o desenvolvimento adequado das raízes. No quintal do Museu de Imigração, elas já ultrapassaram o casarão principal e seguem para o fundo do terreno, além de invadirem os terrenos dos vizinhos.

    Segundo o documento feito pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Joinville ao Iphan para solicitar a retirada destas árvores do jardim do museu, as raízes das ficus já causaram danos aos sistemas de drenagem pluvial, ao esgotamento sanitário e às redes elétrica e telefônica da construção, causando pane nos sistemas eletrônicos e bloqueando o fluxo dos efluentes no encanamento.

    No lugar desta árvores — que já tornaram-se habitat de algumas espécies de animais — serão plantadas outras árvores. Há uma moção da Câmara de Vereadores de 2003 sugerindo que sejam plantadas árvores nativas, como pau-brasil ou cipreste.

    Drenagem

    Após a retirada das árvores, o terreno também passará por drenagem. Ela será feita com recursos provenientes de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) feito com uma empresa, no valor de R$ 80 mil. Ainda será aberta licitação para contratação da empresa que executará a drenagem.

    Casarão principal

    foto mostra o casarão principal visto pelos fundos
    Nos fundos, haverá a construção de um elevador
    (Foto: )

    No "Palácio dos Príncipes", será feito um restauro, já que o imóvel é tombado como patrimônio cultural do Brasil desde 1939. É necessário refazer o reboco e a pintura do casarão. Também serão feitas novas instalações elétricas e hidráulicas, porque estas estão comprometidas. O telhado será analisado para ser consertado, em parte com madeiras restauradas, quando possível, ou com novas madeiras do mesmo material. Depois, ela será descupinizada e imunizada.

    — É um restauro completo, mas sem modificar a estrutura — explica a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Santa Catarina, Liliane Nizzola.

    foto mostra projeto de como o casarão ficará com o elevador
    O casarão ganhará um elevador externo para garantir acessibilidade
    (Foto: )

    Ela também conta que haverá uma obra de acessibilidade no casarão, com a construção de um elevador externo, que será dentro de uma caixa de vidro e metal, de forma que não prejudique a arquitetura da casa e não aparente fazer parte da construção original. O elevador vai garantir que pessoas com mobilidade reduzida possam visitar o segundo e o terceiro piso do museu.

    foto mostra o galpão de tijolos à vista que será desmanchado para dar lugar ao novo anexo do museu
    Galpão foi construído em 2006
    (Foto: )

    Galpão de Transportes

    Construído em 2006 e aberto ao público em 2007, o galpão que abrigava as antigas formas de transportes da região agora será desmontado para dar lugar ao novo anexo do Museu da Imigração. Ele foi feito como uma imitação da técnica enxaimel, mas não segue os princípios dessa técnica construtiva e confunde-se com o galpão ao lado, o de Tecnologia Patrimonial, que é de 1963 e é, de fato, uma construção enxaimel. A ideia é que o material dele, como os tijolos, possa ser reutilizado.

    — Ele é um falso enxaimel e quando a gente trabalha com patrimônio, não quer usar algo falso. Não quer criar expectativa nas pessoas de que aquela era uma coisa original e histórica. Além disso, não dá pra ampliar o galpão e precisamos de mais espaço. Ou você fica com o que está ruim ou o tira, porque não dá pra subir um enxaimel de três andares — avalia a superintendente regional do Iphan.

    foto mostra o projeto da construção do novo anexo
    Novo prédio será nos fundos do terreno com arquitetura contemporânea
    (Foto: )

    Novo anexo

    O novo prédio que será construído nos fundos da propriedade terá 610 metros quadrados. Ele terá arquitetura contemporânea para não se confundir com as outras estruturas que são realmente patrimônio cultural do terreno.

    O anexo terá dois pavimentos. Embaixo, haverá espaço expositivo e a reserva técnica. Também está previsto espaço para uma pequena recepção e para uma lojinha de lembranças da cidade — a viabilidade da loja está sendo analisada pela Associação de Amigos do Museu da Imigração. O piso superior será usado para a administração, que atualmente está instalada na pequena casa ao lado do casarão principal.

    — Com este anexo, a gente prevê uma ampliação da reserva técnica, se precisar. Ele será todo acondicionado para manter estas peças, algo que não podia ser feito antes por não haver estrutura — explica Liliane.

    Acervo

    Atualmente, o acervo do Museu Nacional de Imigração e Colonização está guardado no Galpão de Tecnologia Patrimonial, na Casa Enxaimel e em um espaço da Prefeitura de Joinville em Pirabeiraba. Nada será descartado mas quando o museu reabrir, em 2021, as exposições serão diferentes.

    — Todo o acervo vai voltar, mas talvez nem tudo seja usado na exposição. O conceito de museu mudou e a gente quer fazer um museu moderno, usando multimídia, não quer ficar desatualizado no tempo, expondo louça no museu — diz Liliane.

    O acervo do Museu de Imigração tem mais de 8 mil peças. Parte dele estará exposta no casarão, representando a imigração germânica do século 19. A estrutura do museu também abrigará exposições que abordam outros aspectos da imigração e as novas imigrações, dos séculos 20 e 21. A diretora de museus da Secretaria de Cultura e Turismo de Joinville, Adriana Klein, conta que a equipe de historiadores do museu ajudou na montagem do termo de referência para a nova expografia. Ela também será coordenada pelo Iphan.

    — A ideia é modernizar para que não fique aquele conceito de que o museu é uma cápsula do tempo, que você vai entrar lá e voltar ao antigo casarão — analisa Liliane.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas