Entenda como atriz pode ter indicação ao Oscar invalidada pela Academia

Andrea Riseborough concorre na categoria de melhor atriz pelo filme "To Leslie"

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Andrea Riseborough

Atriz Andrea Riseborough no longa "To Leslie" (Foto: Divulgação/Momentum Pictures)

Entre as comemorações e surpresas do anúncio dos indicados ao Oscar deste ano, na última terça-feira (24), uma nomeação em particular vem dando o que falar em Hollywood. A presença de Andrea Riseborough na categoria de melhor atriz, lembrada por seu trabalho no filme “To Leslie”, despertou acusações de violação das regras do prêmio.

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O caso, que será discutido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, envolve a campanha da artista, o qual apontam como responsável pela ausência de atrizes negras na categoria em 2023. A organização afirmou nesta sexta (27) estar investigando o caso.

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Lançado no festival South by Southwest do ano passado, “To Leslie” é uma produção americana independente de Michael Morris, diretor que trabalhou em episódios de séries conhecidas como “Better Call Saul”, “13 Reasons Why” e “House of Cards”.

A produção acompanha Riseborough no papel de uma mulher que sofre para reorganizar a vida depois de gastar um prêmio vencido na loteria, lutando contra o vício no álcool e pela relação conturbada com o filho.

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Por ser um longa de orçamento pequeno e distribuído por uma empresa menor do mercado do país, a Momentum Pictures, a obra em tese não teria os meios financeiros para bancar uma campanha de divulgação para alcançar os votantes das premiações.

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Membro do elenco, Marc Maron chegou a reclamar da falta de empenho da produtora para vender o filme em dezembro, classificando o trabalho da Momentum como “incompetência grosseira”.

O que aconteceu a partir daí é que a campanha foi assumida pela atriz de origem britânica e a agência que a representa, a CAA -uma das principais empresas de representação artística de Hollywood. No mesmo mês de dezembro, ancorada pela indicação ao prêmio de atriz no Spirit Awards, Riseborough organizou exibições e pagou anúncios em veículos para vender seu trabalho aos votantes.

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Mais surpreendente, porém, é que celebridades do meio começaram a postar elogios à sua atuação nas redes sociais, em uma manobra que se intensificou no período de votação do prêmio da Academia.

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Artistas como Cate Blanchett, Edward Norton, Jennifer Aniston, Courteney Cox, Demi Moore, Mia Farrow e Charlize Theron publicaram mensagens de apoio à atriz, e Kate Winslet e Amy Adams moderaram debates com Riseborough durante a reta final de escolha dos indicados.

A campanha não passou batido pelas redes sociais, que transformou em piada o volume de elogios dados à atriz e sua atuação. Em especial após Gwyneth Paltrow publicar em seu Instagram uma foto com a atriz, Morris e Cox, destacando que Riseborough deveria “ganhar todo prêmio que existe e todos aqueles que ainda não foram inventados.”

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A confirmação da nomeação de “To Leslie” dividiu a indústria, porém, sobretudo a partir da confirmação de quem os votantes preteriram em favor do filme. Até então vistas como favoritas a participar da premiação este ano, as veteranas Viola Davis, por “A Mulher Rei”, e Danielle Deadwyler, por “Till -A Busca por Justiça”, ambas atrizes negras e ancoradas em campanhas de grandes estúdios, acabaram esnobadas na categoria, que conta ainda com Cate Blanchett, Ana de Armas, Michelle Williams e a favorita Michelle Yeoh -primeira mulher auto-identificada como asiática a ser indicada no prêmio.

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Em sua conta no Instagram, Chinonye Chukwu, diretora de “Till”, comentou o caso. “Vivemos em um mundo e trabalhamos em indústrias que são agressivamente comprometidas em defender o embranquecimento e perpetuar uma misoginia ousada e direcionada a mulheres negras.”

Além da questão de diversidade, a campanha ainda atraiu críticas internas, que acusam os envolvidos de violarem as regras da Academia. Chama a atenção a postura de Jason Weinberg, agente de Riseborough, que teria assediado incansavelmente indivíduos para que demonstrassem apoio pela atriz.

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Ele chegou a escrever e-mails pedindo que as pessoas postassem diariamente sobre o filme nas redes, o que rompe com o regulamento da premiação sobre lobby. A organização proíbe no artigo dez que se aborde membros diretamente para divulgar candidaturas.

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Outro “ativista” do filme que despertou incômodo na indústria foi a atriz Frances Fisher. Em uma publicação de seu Instagram, agora deletado, a artista escreveu que Riseborough poderia garantir uma indicação “se 218 (de 1302) atores no braço de votantes da categoria a nomeassem em primeiro lugar”, além de comentar que Davis, Deadwyler, Yeoh e Blanchett “estariam garantidas por seu trabalho fenomenal”. A implicação dos nomes de concorrentes é outra manobra que fere o regulamento da premiação, agora no artigo 11.

Em nota oficial, a Academia diz que tem como meta garantir que a competição seja conduzida de forma justa e ética, além de comprometida em viabilizar uma premiação inclusiva. “Estamos conduzindo uma investigação dos procedimentos de campanha sobre os indicados deste ano, garantindo que nenhuma diretriz tenha sido violada, e garantindo se mudanças às mesmas serão necessárias nesta nova era de redes sociais e comunicação digital.”

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Uma reunião entre os diretores de cada braço da organização estaria marcada para a próxima terça-feira, 31 de janeiro, onde se espera que a questão da campanha seja debatida.

A última vez que o Oscar desqualificou uma indicação foi em 2014, quando a canção “Alone Yet Not Alone”, de Bruce Broughton, foi descartada do prêmio mesmo depois de figurar na categoria. Na ocasião, a Academia alegou contato impróprio do compositor com votantes, um problema aprofundado pelo fato dele ter sido anteriormente um diretor da organização.

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A cerimônia de premiação do Oscar acontece no dia 12 de março no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Reportagem por Pedro Strazza