O que está por trás dos tremores de terra que preocuparam moradores do RS

Não há como saber se os terremotos irão diminuir após as chuvas no RS, dizem os especialistas

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Rua desmorona em Gramado após fortes chuvas

Infiltração da chuva pode ter acelerado tremores no RS (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Tremores de terra causaram preocupação dos moradores de municípios da Serra do Rio Grande do Sul, na madrugada de segunda-feira (13). Apesar de não se descartar a possibilidade dos tremores terem sido causado pelas chuvas, segundo o especialista Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), a região é propensa à ocorrência de terremotos. As informações são do g1.

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Os abalos sísmicos foram registrados em Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Pinto Bandeira, com impactos que variaram de 2,3 a 2,4 na Escala Richter. Eles são considerados tremores de baixa magnitude, e a Defesa Civil acredita que não há riscos à população.

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Com a terra molhada, existe a suspeita de que a chuva teria causado o abalo. A hipótese não é descartada pelo especialista, considerando que não há muitas estações de medição naquela região.

— Provar isso também é muito complicado. Carece de muitas estações espalhadas na região, muitas estações sísmicas, sismômetros, e bastante tempo de estudo. Apesar disso, é pouco provável que eles tenham relação com a chuva, mas a gente não pode descartar isso — afirma Collaço.

O especialista também diz que o local é suscetível a tremores de terra.

— A região da Serra Gaúcha registrou 27 tremores nos últimos 10 anos, ou seja, desde 2014. Então essa é uma região propícia à ocorrência desses tremores, e é muito provável que os terremotos desta madrugada sejam naturais — explica Collaço.

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O professor do Observatório Sismológico da UnB, Lucas Vieira Barros, reforça que o Estado está predisposto a apresentar fenômenos como esse e menciona que em 2022, 2020, 2018 e 2015 houve situações semelhantes em Caxias do Sul. Ele explica que, se está havendo sismos, é porque há falhas geológicas ativas se movendo ao longo dos anos.

— Então naquela região existe uma falha, uma região, uma área sismogênica com potencial de sismo. A ação da água pode ser que tenha apressado um sismo que iria acontecer daqui alguns anos. É possível isso? Sim, é possível — diz Barros.

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Bruno Collaço também afirma que não há como saber se os terremotos irão diminuir após as chuvas no Rio Grande do Sul, já que fenômenos desse tipo são imprevisíveis.

O que causa os tremores de terra

O Brasil tem registro de abalos sísmicos em diferentes regiões, ainda que em grau de menor intensidade, de acordo com Collaço. Ele afirma que o fenômeno, assim como em todo o mundo, ocorre devido a grandes pressões ao longo da crosta terrestre, que rompem blocos de rocha.

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— Os blocos de rocha se movimentam ao longo de uma falha geológica, e no momento dessa ruptura, uma grande liberação de energia e ondas sísmicas são espalhadas por todas as direções. O que as pessoas sentem é a passagem dessa onda sísmica — diz.

Ruas desmoronando

Já em relação às aberturas no asfalto que ocorrem em ruas e rodovias do Estado, a exemplo de Gramado, Collaço afirma que é mais provável uma associação com as chuvas.

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Os temporais e cheias que atingem o Rio Grande do Sul desde o fim de abril provocaram a maior tragédia climática da história do Estado, que afetou mais de 2,1 milhões de pessoas, deixando 148 mortos e 124 desaparecidos até esta terça-feira (14).

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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