A junção entre a velocidade das bicicletas de estrada e a resistência das bicicletas de trilha virou uma modalidade no ciclismo: o gravel. Esse estilo, que tem como diferencial a prática do esporte em terrenos mistos, está em expansão no Brasil. O termo gravel vem do inglês cascalho, que representa o habitat natural dessa categoria: estradas de terra batida, caminhos rurais, pedregulhos e asfalto degradado.
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Como a proposta do gravel é circular em estradas de diferentes condições, ele necessita de uma bicicleta capaz de rodar com eficiência no asfalto e, ao mesmo tempo, enfrentar estradas de terra, cascalho e pisos irregulares, sem a necessidade de suspensão. O conceito é intermediário entre as bicicletas de estrada e as mountain bikes, ou seja, oferece versatilidade e liberdade de trajeto aos ciclistas.
Embora o termo seja recente, o princípio da modalidade remete às origens do ciclismo. No fim do século XIX, quando o asfalto ainda não existia, bicicletas com guidão curvo já eram utilizadas em estradas de terra e cascalho. Mas, foi só em 2012 que o gravel começou a ser abordado comercialmente nos Estados Unidos, quando fabricantes começaram a identificar esse tipo específico de bicicleta como uma nova categoria.
Desde então, o gravel ganhou força no mercado internacional, e também, no Brasil. Por aqui, a modalidade encontrou um cenário favorável já que há uma extensa malha de estradas rurais, vias não pavimentadas e trajetos mistos em todas as regiões.
Como é uma gravel bike
Visualmente, a gravel se aproxima das bicicletas de estrada, principalmente pelo guidão curvo. A diferença está na geometria mais estável, no espaço para pneus mais largos, geralmente entre 38 e 42 milímetros, e na estrutura reforçada para absorver impactos do terreno irregular. Ou seja, as gravel bikes são pensadas para longas distâncias, com conforto, controle e eficiência em superfícies variadas.
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A ausência de suspensão reduz a complexidade mecânica e os custos de manutenção, enquanto a possibilidade de ajustar pneus e calibragem amplia o conforto e a segurança. Ainda, a modalidade também permite diferentes usos, como deslocamentos urbanos, treinos de resistência, cicloturismo, provas de longa distância e viagens de bikepacking.
SOUL Cycles apostou no gravel antes da consolidação do mercado
No Brasil, a SOUL Cycles foi uma das primeiras marcas a apostar no gravel de forma estruturada, quando a modalidade ainda era pouco conhecida no país. O investimento surgiu a partir de uma demanda prática, antes mesmo de o gravel se consolidar como tendência de mercado.
Segundo o fundador e CEO da marca, André Ricardo Souto Maior, a decisão veio da experiência pessoal com trajetos mistos. A partir dessa necessidade, a equipe técnica da SOUL Cycles passou a desenvolver protótipos que uniam características do ciclismo de estrada e do mountain bike, o que deu origem aos primeiros modelos da categoria no portfólio da empresa.
— Foi essa vivência prática que levou a uma inquietação técnica e conceitual. Em conversa com nosso engenheiro, começamos a montar protótipos experimentais, combinando características de diferentes categorias. Ao mesmo tempo, observamos os primeiros sinais do movimento gravel surgindo no cenário internacional. Apostar no gravel foi uma consequência natural de resolver um problema real antes de ele virar tendência — comenta o CEO.
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O primeiro lançamento foi feito em 2016, período em que o mercado brasileiro ainda não tinha componentes específicos, pneus adequados ou referências consolidadas. Por isso, a SOUL Cycles precisou investir em desenvolvimento próprio, testes contínuos e adaptação dos projetos às condições do território nacional.
Com a evolução da modalidade, a SOUL CYCLES passou a ampliar o portfólio e a acompanhar as transformações do gravel no cenário internacional, com avanços técnicos nos modelos. Além do desenvolvimento de produtos, a atuação da marca contribuiu para a consolidação do gravel no Brasil por meio do incentivo à comunidade, apoio a eventos e disseminação do conceito como uma modalidade própria.
Modalidade cresce em eventos e no uso recreativo
Depois do lançamento da marca, o avanço da modalidade começou a ser registrado no Brasil. A partir de 2017, provas com categorias específicas começaram a surgir, inicialmente em Minas Gerais e São Paulo, o que acompanhou um movimento já consolidado nos Estados Unidos e na Europa. Hoje, eventos dedicados ao gravel atraem ciclistas experientes e iniciantes, o que reforça o caráter democrático da modalidade.
Ao longo dos anos, o gravel se tornou uma forma diferente de vivenciar o ciclismo. A possibilidade de sair de casa de bicicleta, alternar terrenos e explorar rotas fora do fluxo urbano transformou a modalidade em uma escolha para quem busca autonomia, contato com a natureza e variedade de percursos.
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