Uma rodada de pesquisas do instituto Quaest divulgada na semana passada trouxe cenários para a disputa a governador em 11 estados brasileiros. No Sul, os levantamentos foram feitos no Paraná e no Rio Grande do Sul e revelaram situações distintas nos dois estados. Os cenários dizem respeito ao contexto específico dos dois estados, mas, em alguma medida, podem sugerir sinais sobre o contexto que cercará também a disputa pelo governo do Estado em Santa Catarina.
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No Paraná, o pré-candidato Sérgio Moro (PL) apareceu na liderança dos cenários testados. No principal deles, o ex-juiz-federal tinha 35% das intenções de voto contra 18% do segundo colocado, Requião Filho (PDT), nome que deve ser apoiado pelo PT de Lula, e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), que tinha 15%.
Na simulação sem Greca, a vantagem de Moro aumentava, com o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro tendo 42%, contra 24% de Requião Filho e 6% de Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo atual governador Ratinho Júnior (PSD).
Quem são os pré-candidatos ao governo de SC
No Rio Grande do Sul, a disputa parece mais acirrada. O levantamento da Quaest mostrou um empate técnico entre a pré-candidata Juliana Brizola (PDT), que deve ser apoiada pelo PT e pelo presidente Lula, com 24%, e o deputado federal bolsonarista Luciano Zucco (PL), com 21%. O terceiro colocado, Gabriel Souza (MDB), aparecia com 6%.
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A disputa equilibrada no Rio Grande do Sul com a pré-candidata da esquerda numericamente à frente pode elevar a desconfiança a quem apostava em um cenário homogêneo de franco favoritismo da direita em todo o Sul do país. Por um lado, a liderança no Paraná do ex-juiz Sérgio Moro, que selou de vez as pazes com Bolsonaro e se filiou ao partido do ex-presidente para disputar o governo, pode indicar a força que a direita bolsonarista ainda tem na região.
É nesta força também que o atual governador Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição, busca se apoiar para tentar permanecer à frente da Casa d’Agronômica. Além disso, as obras e ações do mandato e o arco de aliança que vem sendo construído com legendas como Republicanos, Podemos e Novo são outros aliados do projeto governista em SC.
Em contrapartida, o cenário de maior equilíbrio no Rio Grande do Sul, com o nome da centro-esquerda em empate técnico com o escolhido da direita, pode representar sinal de esperança para equipes de pré-candidaturas de outras correntes em SC, como a de João Rodrigues (PSD), que busca ser via alternativa na direita, e a de Gelson Merisio (PSB), pelo campo da esquerda.
O pesquisador de Cultura Política e professor de Escola de Administração Pública da Universidade do Estado de Santa Catarina (Esag Udesc), Daniel Pinheiro, afirma que as pesquisas no Paraná e no Rio Grande do Sul apontam para um equilíbrio nas disputas, mas SC tem peculiaridades que podem dar uma dinâmica diferente à campanha eleitoral.
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Segundo ele, o momento atual é de articulações nos bastidores, e os movimentos das pré-candidaturas de João Rodrigues e de Merisio podem focar em apoios estratégicos para tentar tirar votos que seriam, em tese, do governador Jorginho Mello. Caso isso aconteça, a construção da imagem de João Rodrigues e a associação de Merisio com o governo Lula poderiam construir um cenário mais disputado.
— Soma-se a isso o desempenho dos pré-candidatos ao Legislativo, deputados e senadores, que são fundamentais neste movimento de levar o nome dos governadores até a casa do eleitor. A composição das chapas, neste momento, é fundamental para vermos que números virão para SC na campanha — pontua Pinheiro.
Número de indecisos no RS chama atenção
Outro dado que chamou a atenção foi o número de indecisos na pesquisa do Rio Grande do Sul. No total, 34% dos entrevistados disseram ainda não saber em quem votar na pesquisa estimulada (no Paraná, esse número foi de 18% no primeiro cenário testado). Na espontânea, o número chegou a 84% no RS. O cenário pode indicar um estágio ainda inicial da disputa no estado gaúcho.
Embora possam sugerir algumas impressões iniciais sobre o que espera os pré-candidatos na campanha ao governo em Santa Catarina, os levantamentos no Paraná e no Rio Grande do Sul dizem respeito estritamente aos contextos desses dois estados, que têm diferenças em relação ao quadro de SC. A disputa catarinense, por exemplo, será a única que terá um governador no cargo tentando a reeleição — no Paraná e no Rio Grande do Sul, os titulares estão terminando o segundo mandato, precisarão deixar o cargo em janeiro e têm o desafio de tentar eleger o sucessor, o que representa outro tipo de conjuntura na corrida eleitoral.
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Os levantamentos da Quaest foram encomendados pela Genial Investimentos e ouviram 1.104 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 25 de abril, no caso do Paraná, e 24 e 28 de abril, no Rio Grande do Sul. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.







