Uma megaoperação que prendeu 10 pessoas envolvidas em uma organização criminosa revelou um esquema de entrega de cartas por drone em Joinville. As apurações preliminares da Polícia Civil indicam que o aparelho era operado pela esposa de um homem condenado pela morte de um policial.

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Mais de 50 cartas foram apreendidas, de acordo com o delegado Murilo Batalha, que acompanha o caso. Ao NSC Total, ele detalhou que os manuscritos entravam e saíam do Presídio Regional de Joinville, com determinações e ordens para a execução de pessoas.

— Foram apreendidos mais de 50 manuscritos com ela, já embalados para o transporte, tanto com drone, mas também para colocar em partes íntimas e não chamar atenção no presídio. São cartas, cujo teor, tem mensagens de dentro do presídio, mas também direcionadas aos faccionados [que estão presos] — explica Batalha.

Veja fotos da mega operação

Apesar da suspeita ter confirmado que ela mesma operava o drone, o delegado detalha que as investigações devem avançar a partir da perícia no equipamento, que deve revelar quais eram os trajetos e em que horário aconteciam. 

— Essa não é a primeira vez que a Polícia Civil se depara com situações nesse sentido. As investigações agora vão se aprimorar com a análise dos aparelhos telefônicos apreendidos, mas também com a própria perícia no drone — afirma.

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Condenado por morte de policial recebia materiais em outra cidade de SC

Ainda de acordo com Batalha, o companheiro da suspeita está preso no Complexo Penitenciário São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. Ele é responsável por comandar mortes de agentes da segurança pública e em 2023 foi condenado por homicídio duplamente qualificado contra um policial no bairro João Costa, em Joinville. 

O início das investigações e leitura das cartas apreendidas já indicam que o homem também recebia os conteúdos enviados por drone.

— A Polícia Civil mantém contatos frequentes com a inteligência da Polícia Penal, pois as duas instituições possuem o mesmo objetivo, que é a Segurança Pública. Então, esses contatos são realizados, sempre mantendo o sigilo que é próprio das investigações. Com o avanço das investigações, iremos nos aproximar ainda mais para que possamos adotar medidas em conjunto, no combate ao Crime Organizado — destaca o delegado.

Megaoperação teve uma pessoa morta e 10 presas em Joinville

Dez pessoas foram presas e uma foi morta durante uma megaoperação realizada em Joinville durante a manhã de quarta-feira (11). Ao todo, 13 mandados de prisão foram expedidos e dois suspeitos seguem sendo procurados. Conforme a Polícia Civil, mais de 70 policiais de Joinville, Florianópolis e outras cidades participam da ação.

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Dos 13 mandados de prisão, onze foram cumpridos. De acordo com o delegado Murilo Batalha, dez pessoas foram presas e um suspeito acabou sendo morto ao reagir durante a abordagem, no momento em que seria preso. 

Os suspeitos são investigados por participarem do crime organizado, roubo e tráfico de drogas. Além dos mandados de prisão, 19 de busca e apreensão são cumpridos na cidade. Grande quantidade de drogas, drone e até mesmo cartas já foram apreendidas pela polícia. 

Conforme o delegado, as cartas continham determinações e ordens para a execução de pessoas e seriam entregues no Presídio Regional de Joinville. Agora, o material deve ser analisado e outros suspeitos podem ser identificados. 

Batalha narra que as investigações iniciaram ano passado após o roubo em uma residência da Zona Sul da cidade. Na época, idosos teriam sido vítimas do crime, tendo sido, inclusive, agredidos pelos suspeitos. O cachorro da família, da raça pitbull, foi morto.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira