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    "Esquece o PSL", diz Bolsonaro ao criticar presidente de seu partido

    Partido do presidente da República enfrenta uma crise desde que foi atingido por suspeitas de candidaturas de laranjas em Minas Gerais

    08/10/2019 - 16h07

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    Por Folhapress
    Presidente Jair Bolsonaro
    (Foto: )

    *Talita Fernandes e Ângela Boldrini

    O presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu a um apoiador para esquecer o PSL e criticou o comandante nacional do partido, deputado Luciano Bivar (PE), que estaria "queimado para caramba".

    — Esquece o PSL, esquece o PSL, tá ok? — cochichou Bolsonaro no ouvido do apoiador que o esperava nesta terça-feira (8) na porta do Palácio da Alvorada para gravar um vídeo.

    Um jovem se aproximou do presidente com um celular para fazer um vídeo e disse: "Eu sou do Recife, pré-candidato do PSL".

    Bolsonaro pede então que ele esqueça a legenda, mas o apoiador insiste. "Eu, Bolsonaro e Bivar juntos por um novo Recife, aê!", grita o jovem, enquanto registra a cena com um celular em posição de selfie.

    Ao perceber que foi gravado, o presidente então pede que a imagem não seja divulgada.

    — Oh cara, não divulga isso não, pô. O cara tá queimado para caramba lá. Vai queimar o meu filme também. Esquece esse cara, esquece o partido — afirmou.

    Em seguida, os apoiadores que cercavam o presidente recomendaram que o vídeo fosse apagado. Poucos segundos depois, o mesmo jovem refez o vídeo, suprimindo nome do presidente do PSL, Luciano Bivar, e do partido. "Viva o Recife, eu e Bolsonaro", diz.

    As imagens foram divulgadas por um youtuber apoiador do presidente em seu canal, chamado "Cafezinho com Pimenta".

    A fala do presidente na manhã desta terça contrasta com o discurso do governo sobre sua permanência no PSL.

    — Não há, da parte do presidente, agora, nenhuma formulação com relação a uma suposta transição do partido — afirmou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, na segunda-feira (7).

    O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (PSL), afirmou estar perplexo com a declaração do presidente desta terça.

    — Nos pegou a todos de calças curtas — disse o senador a jornalistas, no Congresso.

    Ele ainda não tentou entrar em contato com o presidente depois do ocorrido e disse que é preciso entender o que motivou a declaração. Também defendeu Luciano Bivar.

    — Talvez o presidente esteja vislumbrando uma situação que nós não vemos. O que eu vejo é o Bivar e todo o PSL tratando o presidente com toda a consideração do mundo. Por isso que não dá para entender — afirmou o senador.

    Olímpio disse não haver discussão sobre a substituição de Bivar e tampouco sobre a saída de Bolsonaro do partido.

    — É o único partido 100% fechado com o presidente.

    Ele disse que a ideia de Bolsonaro sair do PSL é "como morar sozinho e fugir de casa", já que ele se tornou a figura central do partido.

    Crise no PSL

    A sigla enfrenta uma crise desde que foi atingido por suspeitas de candidaturas de laranjas, caso revelado pelo jornal Folha de S.Paulo em fevereiro e que já resultou na queda do ex-chefe da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno. Entre os suspeitos de irregularidades estão Bivar e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

    Em fevereiro, a Folha revelou que o hoje ministro do Turismo de Bolsonaro patrocinou em 2018, quando era presidente do PSL-MG e candidato a deputado federal, o desvio de verbas públicas do partido por meio de quatro candidatas laranjas do interior de Minas.

    Apesar de figurarem no topo das que nacionalmente mais receberam dinheiro público do PSL, R$ 279 mil, as quatro não apresentaram sinais evidentes de que tenham realizado campanha e, ao final, reuniram, juntas, apenas 2.074 votos.

    Parte dos recursos que Álvaro Antônio direcionou a elas, como presidente estadual da sigla, foi parar em empresas ligadas a assessores e ex-assessores de seu gabinete na Câmara. O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas nas apurações das candidaturas laranjas do PSL sob a acusação de três crimes.

    Além de Minas, a Folha de S.Paulo revelou a existência do esquema também em Pernambuco, terra do presidente nacional da legenda de Bolsonaro, o deputado federal Luciano Bivar.

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