Um suposto esquema de corrupção no hospital de Gaspar resultou em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) nesta terça-feira (28). Batizada de Cashback, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão para colher provas não só na cidade, como também em Blumenau, Balneário Camboriú, Palhoça, Osasco/SP e Brasília/DF.
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A investigação ocorre em sigilo, mas o Ministério Público adiantou que as irregularidades teriam sido cometidas entre 2021 e 2024. Denúncias levaram as equipes a colocar uma lupa na administração do hospital, que é feita pela prefeitura.
Conforme as suspeitas, uma empresa de serviços médicos teria sido contratada de forma direcionada para ser paga com dinheiro público da saúde (SUS). Parte desse dinheiro voltava para envolvidos — incluindo um político — no esquema como propina (o “cashback”, dando origem ao nome da operação).

Para não chamar atenção, os valores passavam por várias contas, dificultando o rastreamento, ou ainda havia a aquisição de bens de alto valor em nome de terceiros, sustentou ainda o Gaeco. Entre 2021 e 2024, foi identificado um aumento significativo nas despesas com serviços médicos, sem melhora proporcional no atendimento prestado à população usuária do SUS, avaliaram os investigadores.
Diante dos indícios reunidos, o Poder Judiciário, por meio da Vara Regional de Garantias da Comarca de Blumenau, expediu os mandados de busca e apreensão em endereços vinculados aos investigados, com a finalidade de recolher documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outras provas para continuar a investigação.
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Contraponto
A prefeitura se manifestou sobre o assunto por nota. Disse que ainda não foi comunicada da operação, mas que a investigação se refere à gestão anterior e que no ano passado “adotou medidas para fortalecer a gestão do hospital”. Leia na íntegra:
A Prefeitura de Gaspar reitera que não foi previamente comunicada sobre a Operação “Cashback”, deflagrada nesta terça-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina.
Conforme já informado, os fatos apurados pela investigação referem-se ao período entre os anos de 2021 e 2024, ou seja, anteriores ao início da atual gestão. O Município tomou conhecimento da operação por meio da imprensa e, até o momento, não recebeu qualquer notificação oficial, questionamento formal ou detalhamento sobre eventuais envolvidos.
Desde o início de 2025, a Prefeitura de Gaspar adotou medidas para fortalecer a gestão do hospital, com a designação de profissionais técnicos e qualificados, priorizando critérios de competência, responsabilidade e transparência na condução dos serviços. A atual administração também vem promovendo ações voltadas à melhoria do atendimento e ao uso eficiente dos recursos públicos na área da saúde.
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A Administração Municipal reforça que aguarda o contato oficial das autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar de forma integral com as investigações, prestando todos os esclarecimentos necessários.

