Com a aproximação do El Niño, o presidente do Chile, José Antonio Kast, decretou nesta segunda-feira (20) estado de catástrofe no país. Desde a última quarta-feira (15) a região enfrenta geadas e temporais constantes. Segundo a população local, a chuva foi maior do que o esperado para quatro anos. O NSC Total conversou com exclusividade com chinelos que vivem diariamente os impactos destas mudanças.
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O El Niño é um fenômeno climático global que todos os anos, entre os meses de julho e setembro e interfere nos ventos e aumenta a temperatura do Oceano Pacífico e da região, levando ao aumento das chuvas e tempestades. No entanto, em 2026, a costa da América do Sul vem sendo castigada pelo aquecimento mais rápido que o normal enquanto as águas atingiram até 2,7°C.
Arnaldo Zúñiga, da Direção Meteorológica do Chile, informou que tempestades como essa não ocorriam em duas décadas. Segundo informações do g1, até agora foram 10 pessoas falecidas, quatro desaparecidas e 17 feridos. A quantidade de moradias destruídas chega a 2.200 e mais de 100.000 pessoas isoladas. Os locais mais afetados são o Norte e o Sul do país, áreas de vegetação mais desérticas que não estavam preparadas para a quantidade extrema de chuva.
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Moradores relatam alertas e necessidade de assistência militar
Moradora de Viña del Mar, no litoral do Chile, María Elena Rodriguez Jiménez, contou que o Serviço Nacional de Prevenção e Respostas de Desastres (Senapred), ativou alertas públicos devido às cheias dos rios:
— A estrada costeira aqui está fechada há vários dias devido a ondas de até 8 e 10 metros. A região norte já foi declarada zona de desastre e os militares estão prestando assistência. — disse.
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A região da capital, em Santiago del Chile e arredores, sofre menos com as chuvas, por ser uma área mais urbana e melhor preparada para defesa. O motorista e CEO da empresa de Turismo Orozco, Jody Orozco, comentou sobre a diferença:
— Em Santiago a situação está mais tranquila e normal, o maior problema são as regiões norte e sul. Mais desérticas e sem condições para enfrentar tanta chuva, como as comunas La Serena e Copiapó.
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Turistas perdem reservas e agências se procupam
Além da crise interna de segurança da população local, o turismo é altamente atingido pelas mudanças climáticas. O Chile é conhecido por turistas brasileiros principalmente por vinícolas, passeios pelo Vale Nevado e visitas ao deserto do Atacama.
O El Niño resultou no atraso das nevascas de inverno, que chegaram acumuladas e intensas. A situação impossibilitou reservas em estações de ski e passeios de neve. Jody reclamou da dificuldade em transportar turistas:
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— Tem mais de 15 anos que faço isso, e sempre subi de carro as montanhas com neve. Agora não estão deixando nem deixar os passageiros no hotel.
Segundo o CEO, um dos principais impasses é a nova norma que impõe da utilização de carros 4×4 na travessia:
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— Os carros de turismo não são 4×4, e os 4×4 não são carros feitos para o turismo — afirmou.
A medida foi realizada pois a neve acumulada alcançou altura entre 70 e 80 centímetros durante dias. O volume dificulta a passem e impede os serviços de manutenção e limpeza das vias e pontos turísticos. Por causa da chuva, várias atrações como vinícolas e parques tiveram dificuldade para operar.
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Jody comentou com tristeza que a situação é ruim tanto para os turistas, quanto para a economia local:
— Muita gente perdeu reservas para o Vale nevado, Colorado, Farellones, Val Paraíso e a gente fica no prejuízo também. Os turistas vêm com muitas expectativas, mas os centros estão fechados e o turismo quase parado, a gente está tentando, mas está bem complicado.
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Agências de turismo estão buscando possibilidades de reverter o problema. Impossibilitados de operar os passeios normais de cordilheira, as empresas estão adiando, alterando e operando opções alternativas de passeios que não subam a cordilheira mas cheguem a locais com neve, para tentar amenizar a frustração dos clientes.
*Sob supervisão de Nicoly Souza

