Uma nova pesquisa global colocou quatro praias brasileiras entre as mais poluídas do mundo por bituca de cigarro. O estudo, publicado na revista científica Environmental Chemistry Letters na última semana, mas divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) nesta quinta-feira (26), reuniu dados de 130 exames de monitoramento em 55 países, entre 2013 e 2024, em ambientes aquáticos e urbanos.
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No ranking global, o Brasil ocupa a quarta posição da lista, atrás do Irã, Chile e Tailândia. Enquanto a média mundial de contaminação é de 0,24 bituca por metro quadrado, em algumas praias brasileiras essa densidade chega a ser quase 40 vezes maior, podendo alcançar 8,85 bitucas por metro quadrado.
Em determinados ambientes costeiros do Brasil, as bitucas representam mais de dois terços de todo o lixo marinho coletado. No mundo, as bitucas representam cerca de 12% de todo o lixo encontrado nas praias.
Confira as praias brasileiras entre as mais contaminadas do mundo por bituca de cigarro
Filtros de cigarro são o resíduo mais descartado no planeta
Os filtros de cigarro são hoje o resíduo mais descartado no planeta: cerca de 4,5 trilhões de unidades são jogadas fora todos os anos. Eles são feitos de acetato de celulose (um tipo de plástico) e podem permanecer no ambiente por décadas ou até séculos.
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Conforme o estudo, quando as bitucas entram em contato com a água, liberam microplásticos e mais de 7 mil substâncias químicas, como nicotina, metais pesados e compostos cancerígenos. Uma unidade pode contaminar mais de mil litros de água, pondo em risco ecossistemas inteiros, de pequenos organismos a grandes predadores.
O estudo também aponta que, quando comparadas a regiões sem proteção legal, áreas ambientalmente protegidas apresentam níveis muito menores de contaminação: em média, cinco vezes inferiores, chegando a quase dez vezes menos no Brasil. Apesar de esses achados demonstrarem o impacto positivo e direto de políticas públicas e da fiscalização ambiental, nem mesmo áreas protegidas escapam da contaminação por bitucas.
O estudo é fruto da parceria entre pesquisadores vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao Instituto Nacional de Câncer (INCA), à Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, e à Universidad San Ignacio de Loyola, no Peru.
Veja a lista
- Boa Viagem (Recife, PE): 8,85/m²
- Perequê (Guarujá, SP): 2,64/m²
- Porto de Galinhas (Ipojuca, PE): 1,57/m²
- Santa Cruz dos Navegantes (Guarujá, SP): 1,04/m²
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Veja a lista global
- Irã: 38,32/m²
- Chile: 24,11/m²
- Tailândia: 13,30/m²
- Brasil: 8,85/m²
- Uruguai: 8,00/m²
- Alemanha: 5,10/m²
- Equador: 4,05/m²
- Indonésia: 3,32/m²
- Lituânia: 1,77/m²
- Bangladesh: 1,76/m²
- Tunísia: 1,29/m²
- Vietnã: 1,16/m²
- Sri Lanka: 1,10/m²
- Polônia: 1,09/m²
- Finlândia: 1,09/m²
- Letônia: 1,05/m²
- Índia: 0,87/m²






