A paisagem inóspita atraiu a atenção dos 118 passageiros que desembarcaram da Barca Colon em São Francisco do Sul e foram transportados até a Colônia Dona Francisca. O imigrante suíço Sebastian Weber descreveu: “uma planície enorme, toda coberta de densa mata virgem, uma pequena clareira com algumas choupanas, feitas de barro e cobertas com folhas de bananeiras. E era só”.

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Eles também ficaram surpresos com a presença de famílias inteiras de luso-brasileiros e com os índios guaranis e xoclengues.

– São Francisco do Sul era uma vila estabelecida, havia sesmarias e grandes fazendas, com roças de mandioca. Essa ocupação começou com o governo português e, por isso, muitas áreas do Domínio Dona Francisca já tinham habitantes – explica a jornalista e escritora Maria Cristina Dias.

Assim que chegaram, os imigrantes foram abrigados em grandes barracões (como mostra a imagem que é uma reprodução do jornal europeu “Illustrirte Zeitung”, de 1851), até que os lotes da Colônia fossem divididos e determinados. Weber comentou em correspondências que as refeições oferecidas na Colônia eram iguais as do navio: “Os demais não comiam farinha de mandioca, principal alimento dos brasileiros. Não existe manteiga, nem pão. Bebida apreciada, sobretudo no calor, é água pura e limpa.”

Ao ver que a estrutura prometida pela Companhia Colonizadora de Hamburgo não correspondia à realidade, muitos desanimaram, alguns subiram a Serra com destino a Curitiba, mas a maioria ficou, pois estavam endividados e sem condições para outro recomeço. Mesmo com as dificuldades, Weber demonstrava otimismo: “Estou confiante que, uma vez vencidas as dificuldades iniciais, haverá um desenvolvimento no próximo futuro.”

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Uma série de eventos, também trouxeram os noruegueses a Joinville. Embarcados no navio Sofie, 120 imigrantes noruegueses desejavam chegar a San Francisco, na Califórnia, para se integrarem à chamada “febre do ouro”. Saindo do porto de Trondheim, o grupo enfrentou ventos contrários e tempestades, até aportar no Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1851, depois de três meses em alto mar.

Nesse momento, agentes de imigração e representantes da Sociedade Colonizadora iniciaram a propaganda da nova Colônia Dona Francisca. No Rio, foram embarcados 74 noruegueses no barco Glória dos Anjos, chegando a São Francisco do Sul em 7 de março e na Colônia Dona Francisca no dia 9 de março. Do total de imigrantes, 61 permaneceram e os outros retornaram para o Rio de Janeiro, em 28 de março, na Barca Colon.

* Textos: Letícia Caroline Jensen, especial para o AN

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