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A Barca Colon

Estrutura da Colônia Dona Francisca, hoje Joinville, era muito diferente da prometida pela Companhia de Hamburgo

Os imigrantes foram abrigados em grandes barracões até que os lotes da colônia fossem determinados

08/03/2019 - 21h46 - Atualizada em: 12/03/2019 - 11h24

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Redação
Por Redação AN
 Reprodução do jornal europeu “Illustrirte Zeitung”, de 1851
Reprodução do jornal europeu “Illustrirte Zeitung”, de 1851
(Foto: )

A paisagem inóspita atraiu a atenção dos 118 passageiros que desembarcaram da Barca Colon em São Francisco do Sul e foram transportados até a Colônia Dona Francisca. O imigrante suíço Sebastian Weber descreveu: “uma planície enorme, toda coberta de densa mata virgem, uma pequena clareira com algumas choupanas, feitas de barro e cobertas com folhas de bananeiras. E era só”.

Eles também ficaram surpresos com a presença de famílias inteiras de luso-brasileiros e com os índios guaranis e xoclengues.

– São Francisco do Sul era uma vila estabelecida, havia sesmarias e grandes fazendas, com roças de mandioca. Essa ocupação começou com o governo português e, por isso, muitas áreas do Domínio Dona Francisca já tinham habitantes – explica a jornalista e escritora Maria Cristina Dias.

Assim que chegaram, os imigrantes foram abrigados em grandes barracões (como mostra a imagem que é uma reprodução do jornal europeu “Illustrirte Zeitung”, de 1851), até que os lotes da Colônia fossem divididos e determinados. Weber comentou em correspondências que as refeições oferecidas na Colônia eram iguais as do navio: “Os demais não comiam farinha de mandioca, principal alimento dos brasileiros. Não existe manteiga, nem pão. Bebida apreciada, sobretudo no calor, é água pura e limpa.”

 As áreas do Domínio Dona Francisca já tinham habitantes, explica a jornalista e escritora Maria Cristina Dias
As áreas do Domínio Dona Francisca já tinham habitantes, explica a jornalista e escritora Maria Cristina Dias
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Ao ver que a estrutura prometida pela Companhia Colonizadora de Hamburgo não correspondia à realidade, muitos desanimaram, alguns subiram a Serra com destino a Curitiba, mas a maioria ficou, pois estavam endividados e sem condições para outro recomeço. Mesmo com as dificuldades, Weber demonstrava otimismo: “Estou confiante que, uma vez vencidas as dificuldades iniciais, haverá um desenvolvimento no próximo futuro.”

Uma série de eventos, também trouxeram os noruegueses a Joinville. Embarcados no navio Sofie, 120 imigrantes noruegueses desejavam chegar a San Francisco, na Califórnia, para se integrarem à chamada “febre do ouro”. Saindo do porto de Trondheim, o grupo enfrentou ventos contrários e tempestades, até aportar no Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1851, depois de três meses em alto mar.

Nesse momento, agentes de imigração e representantes da Sociedade Colonizadora iniciaram a propaganda da nova Colônia Dona Francisca. No Rio, foram embarcados 74 noruegueses no barco Glória dos Anjos, chegando a São Francisco do Sul em 7 de março e na Colônia Dona Francisca no dia 9 de março. Do total de imigrantes, 61 permaneceram e os outros retornaram para o Rio de Janeiro, em 28 de março, na Barca Colon.

* Textos: Letícia Caroline Jensen, especial para o AN

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