Uma estudante denunciou na escola que estava sendo vítima de abuso sexual cometido pelo próprio padrasto. O caso veio à tona nesta quinta-feira (26), em Indaial, e a direção do colégio acionou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar. O homem, de 54 anos, foi levado à delegacia pela PM, onde acabou preso em flagrante pelo crime de estupro, cuja pena prevista varia de seis a dez anos de cadeia.

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A aluna, de 14 anos, contou aos professores que as agressões vinham ocorrendo há cerca de seis anos. Recentemente, segundo o relato, o suspeito teria dito que a retiraria do ensino em período integral para que passasse a estudar apenas à tarde, com o objetivo de ficarem sozinhos em casa pela manhã. A adolescente foi encaminhada para atendimento médico no Hospital Beatriz Ramos.

De acordo com a polícia, o padrasto não possui, a princípio, registros criminais anteriores. Ele deve ser encaminhado ao Presídio Regional de Blumenau, onde aguardará audiência de custódia.

A psicóloga policial Lilian Motta Gomes, da Polícia Civil de Santa Catarina, pontua mudanças repentinas no comportamento de crianças e adolescentes servem de alerta:

  • Alterações emocionais: Medo, pânico, introversão ou extroversão acentuada e sem motivo aparente.
  • Regressão de comportamento: Voltar a ter atitudes de uma idade inferior que já haviam sido superadas.
  • Sinais físicos: Marcas de agressão ou indícios de doenças sexualmente transmissíveis.

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Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que sete crianças e adolescentes foram estupradas por dia em 2025 em Santa Catarina. Entre janeiro e dezembro do ano passado, 2.606 pessoas menores de 14 anos foram vítimas deste crime no Estado, com cerca de 82% sendo meninas.

O levantamento “Percepções sobre Direitos de Meninas e Mulheres Grávidas Pós-Estupro”, divulgado em outubro de 2025, mostra que 60% das meninas estupradas antes dos 14 anos não denunciaram o crime. Conforme a pesquisa, apenas 15% das vítimas de abuso sexual menores de 13 anos foram atendidas pela polícia. Nessa faixa etária, as que tiveram atendimento de saúde foram apenas 9%.