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    Estudante surdo adota cão, também surdo, rejeitado pela primeira família de adotantes 

    Animal de 11 meses foi rejeitado por conta de sua condição física, mas já está em um novo lar

    14/01/2020 - 20h57 - Atualizada em: 14/01/2020 - 21h05

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    Por Janaína Laurindo
    Jorge adotou Jögan na última quinta-feira (9)
    Jorge adotou Jögan na última quinta-feira (9)
    (Foto: )

    Jögan é um jovem cãozinho de 11 meses. Adotado por uma família quando ainda tinha 45 dias, ele foi devolvido para a Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) de Florianópolis assim que foi diagnosticado surdo. Mas a história do mascote de olhos castanho e azul ganhou páginas felizes há uma semana, quando o doutorando em estudos da tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) João Gabriel Duarte Ferreira, que também é surdo, o adotou.

    O estudante carioca, que já tinha a cadelinha Gabi, retirada das ruas, desejava encontrar um cão surdo para adotar e nas redes sociais do Dibea encontrou o Pirata, que agora se chama Jögan.

    O cão se adaptou rapidamente com a cadelinha Gabi.
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    — Eu tava lendo, uns dias antes de meu amigo me falar de Jögan, sobre um tipo de olho. De um anime do qual eu estava assistindo. Aí o amigo me falou sobre o cachorro, vi a foto nos stories da Dibea e me lembrou do anime — contou João sobre a decisão de rebatizar o cão.

    Jögan, como foi batizado em seu novo lar, tem um olho marrom e outro azul
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    Jögan ainda está em processo de adaptação. Já responde alguns sinais de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e ao lado da outra mascote da casa, que já tem 3 anos, tá encontrando seu espaço no novo lar. João conta que o cãozinho estava bastante assustado no dia que chegou, mas que já está acostumando com a nova casa.

    — No primeiro dia, estava bem assustado. Recebi visitas anteontem, ele se assustou. Só que está bem com gente. Ele é bem manso! Até dorme comigo.

    João revela que teve cachorros a vida toda e que já conhecia alguns surdos tutores de cachorros também surdos, mas confessa que ainda não sabe detalhes do diagnóstico do seu novo companheiro.

    — Eu levarei Jögan na sexta-feira no veterinário para saber mais detalhes do diagnóstico de surdez.

    Como identificar a surdez em cães

    A veterinária Raquel Souza explica que a surdez em cães é diagnosticada através de respostas comportamentais aos estímulos sonoros e também com um teste eletrofisiológico de potencial evocado auditivo de tronco encefálico, ainda em pesquisa no Brasil, mas bastante utilizado na Europa e América do Norte.

    A profissional destaca que existem raças com uma maior disposição para surdez — dálmata e boxer — porém pode ser encontrada em mais de 80 raças, além dos cães sem raça definida.

    Existem várias causas possíveis para a deficiência auditiva em cães.

    — A surdez pode ser hereditária, senil, provocada por medicações ototóxicas, traumas, otites, má formações, lesão neuronal, dentre outras causas — explica Raquel.

    Sobre os cuidados com o animal com esse tipo de diagnóstico, a veterinária observa que o tratamento é direcionado de acordo com cada paciente. O treinamento desses animais necessita atenção especial.

    — A comunicação com pacientes surdos é feita através de gestos. Um treinamento manual deve ser realizado condicionando os animais com auxílio de petiscos adequados. Além dos gestos, o uso de fonte luminosa como lanternas devem fazer parte deste condicionamento. O olfato aguçado dos cães é outro forte aliado na orientação destes pacientes — finaliza a profissional.

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