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    Estúdio CBN debate casos de racismo em Florianópolis no Dia da Consciência Negra 

    Cauane Maia, Edsoul e Juninho Mamão relatam casos e analisam a questão racial 

    20/11/2019 - 18h39 - Atualizada em: 20/11/2019 - 18h44

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    Por Redação CBN Diário
    Juninho Mamão (E), Cauane Maia (C) e Edsoul no programa
    Juninho Mamão (E), Cauane Maia (C) e Edsoul no programa
    (Foto: )

    O programa Estúdio CBN Diário desta quarta-feira, 20, teve como tema o Dia da Consciência Negra. Comandado por Renato Igor, a edição contou com a presença de Cauane Maia, doutoranda em Antropologia pelo programa de Pós-graduação em Antropologia Social pela UFSC, pesquisadora do protagonismo negro em Florianópolis, Juninho Mamão, militante do Movimento Negro há 32 anos, coordenador de políticas públicas para a promoção da igualdade racial e secretário municipal adjunto de segurança pública de Florianópolis, e Edsoul, apresentador da NSC TV e figura atuante junto às comunidades e ao movimento negro.

    Ouça a íntegra do programa, com relatos dos participantes e dados sobre os números do racismo em Florianópolis e em Santa Catarina.

    Cauane Maia, sobre as cotas nas universidades

    Antes das ações afirmativas (cotas) tivemos aí pouco mais de 100 anos de pós-abolição e universidades públicas com um grande contingente de pessoas não negras, pessoas brancas ocupando os espaços. Organicamente a sociedade não teve capacidade de inserir o negro tanto na academia, no ensino formal de ensino público de qualidade, como nos espaços de tomada decisão.

    Ações afirmativas, a discriminação positiva que se fala, é uma alternativa para inserir esse negro nesses lugares de tomada de decisão. E aí temos estudos riquíssimos já, tem mais de 10 anos as ações afirmativas, que já desmistificam esse ideário que é racializado também em grande medida.
    Edsoul, sobre o racismo

    — Um dos piores racismos que existe no nosso país é o de Santa Catarina. Santa Catarina tem um racismo velado e tem a palavra, me desculpe pelo termo, mas é um racismo nojento, cara. É o racismo do faz de conta, que não que é contra, que é tudo bem, do que nós somos irmãos e na verdade você não me trata como irmão. Eu sofri racismo inúmeras vezes, sofro ainda. Talvez as pessoas tenham mais dedos, sejam mais receosos em relação porque eu também vou botar boca no trombone.

    Eu não sou digno de pena porque eu sou descendente de seres humanos escravizados, que atravessaram nos porões de navios fétidos, eu não sou coitado, eu não sou a vítima, eu tô lutando, cara, eu tô vencendo. Agora o ser humano que é coitado, que é digno de pena, é esse que acha que nós somos diferentes porque você tem um tom de pele clara e eu tenho um tom de pele escura.
    Juninho Mamão, sobre a história

    — Hoje nós comemoramos é 324 anos da morte de zumbi, que foi um herói nacional, que resistiu. Então para você falar em preconceito, racismo e discriminação você tem que ser remeter a escravidão. Foram quatro séculos de escravidão, depois vem o pós-abolicionismo e a integração na sociedade de classe. Não houve essa integração na sociedade de classe e, dentro desse contexto, a sociedade brasileira cria o racismo à brasileira, que é estereotipar uma raça superior a outra.

    Nesse país tudo que é branco é bom e tudo que é negro ou preto não presta. As pessoas na não nascem racistas, isso é um aparelho ideológico. O preconceito ele não aumenta nem diminui, ele permanece.

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