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ABELHAS 

Estudo mostra que a mudança climática é prejudicial às abelhas

Os pesquisadores descobriram que as populações de mamangabas recentemente diminuíram 46 por cento na América do Norte e 17 por cento em toda a Europa quando comparadas com o período base de 1901 a 1974

12/02/2020 - 12h22

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Por The New York Times
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(Foto: )

*Por Kendra Pierre-Louis

Eis a humilde abelha mamangaba.

As temperaturas mais altas ligadas às mudanças climáticas, especialmente extremos como ondas de calor, estão contribuindo para o declínio dessas criaturas peludas e gordinhas, de acordo com um novo estudo publicado na revista "Science".

Os pesquisadores descobriram que as populações de mamangabas recentemente diminuíram 46 por cento na América do Norte e 17 por cento em toda a Europa quando comparadas com o período base de 1901 a 1974. Os maiores declínios foram em áreas onde as temperaturas subiram muito além da faixa histórica, o que gera preocupações de que as mudanças climáticas possam aumentar o risco de extinção dessas abelhas, que já estão ameaçadas pelo uso de pesticidas e perda de habitat.

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"A escala desse declínio é realmente preocupante. Esse grupo de organismos é um polinizador extremamente importante em áreas naturais e regiões agrícolas, disse Peter Soroye, doutorando em biologia na Universidade de Ottawa e principal autor do estudo.

A mamangaba oriental comum, ou Bombus impatiens, por exemplo, é uma importante polinizadora no leste da América do Norte. É também a espécie que você provavelmente vai encontrar em seu jardim.

Os pesquisadores descobriram que as observações da abelha diminuíram significativamente ao longo do século passado. Suas conclusões são baseadas em amostras coletadas por museus em locais únicos. (Uma "observação" pode representar uma única abelha em um local, ou várias delas; de qualquer forma, um sinal de que há uma colônia presente.)

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Um estudo anterior de pesquisadores da Universidade Cornell descobriu que as Bombus impatiens eram duas vezes mais eficazes na polinização da abóbora do que as abelhas europeias. Outra espécie norte-americana, a abelha-de-faixa-amarela, ou Bombus terricola, viu um declínio muito maior durante o mesmo período.

A pesquisa foi baseada no trabalho de Jeremy T. Kerr, professor de biologia da Universidade de Ottawa e coautor do estudo. Ele já havia acumulado um banco de dados de abelhas com mais de 500 mil observações de 66 espécies na América do Norte e na Europa.

Os números fornecem duras evidências da magnitude do declínio entre as espécies de abelhas. Em sua análise final, os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos para explicar a variação de amostra e de detecção.

Ter mais de um século de dados também lhes permitiu procurar sinais de mudança climática no declínio das abelhas.

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"Previmos que teria a ver com esses extremos nas temperaturas – não apenas as temperaturas médias das mudanças climáticas, aumentando gradualmente ou tornando as coisas mais quentes, mas também as oscilações naturais nas temperaturas e ondas de calor", disse Soroye.

As abelhas foram, de fato, mais atingidas em lugares que experimentaram esses picos de temperatura.

Além de ter revelado onde as populações diminuíram, o modelo desenvolvido pelos pesquisadores previu áreas onde essas abelhas permaneceram estáveis ou até aumentaram, apesar do clima que se aquece. "Podemos ir a esses pontos onde as coisas estão indo bem, e podemos ver o que há nessas regiões e áreas que permite que as espécies persistam sob a mudança climática", disse Soroye. Ele acrescentou que os pesquisadores poderiam tirar lições nesses locais e potencialmente aplicá-las a outras áreas, para ajudar a mitigar ou até mesmo reverter os declínios observados.

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As abelhas mamangabas são uma parte das redes ecológicas ameaçadas pelas mudanças climáticas. "As abelhas contribuem para os serviços de polinização de um monte de plantas diferentes, como tomates em estufas, mas também de muitas outras espécies na agricultura ao ar livre", disse Kerr.

A penugem extra das mamangabas permite que carreguem mais pólen em seu corpo quando vão de planta em planta em busca de néctar. E, na América do Norte, elas são polinizadoras nativas, ao contrário das abelhas melíferas, que foram introduzidas principalmente a partir da Europa. O comprimento de sua língua (que pode ser curto, médio ou longo) e o rápido bater de suas asas, que dão às abelhas seu zumbindo característico, as tornam melhores que as melíferas na polinização de certas plantas, como a pimenta e o tomate, que são nativas das Américas.

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"Essas espécies costumavam ser muito mais comuns. Elas são os fantasmas da infância de baby boomers na Europa e na América do Norte", disse Kerr.

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