O vídeo que registrou o estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em uma comunidade de São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, causou choque até entre os policiais responsáveis pela investigação. Ao Estadão, a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63º Distrito Policial da Vila Jacuí, informou que as imagens do crime circularam entre moradores e nas redes sociais antes mesmo do registro oficial da ocorrência. (veja o que se sabe do caso abaixo)

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As vítimas foram atraídas pelos suspeitos com a promessa de empinar pipa. De acordo com a investigação, o grupo levou as crianças para um imóvel na comunidade de União Vila Nova, onde os abusos aconteceram no dia 21 de abril.

— Eles eram vizinhos e conviviam. As crianças tinham confiança neles. Foram soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque passaram e falaram: “vamos soltar pipa? Ah, entra aqui que tem uma linha” — afirmou a delegada.

Segundo Janaína, um dos adolescentes apreendidos contou em depoimento que o episódio teria começado como uma “brincadeira” e acabou escalando para o crime. A polícia afirma que o único adulto envolvido, Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, teria incentivado as ações e iniciado as gravações.

— As imagens causam muito impacto. Foi o maior quem começou as brincadeiras e também as gravações no celular dele. Depois, ele pediu para outro adolescente filmar — disse a delegada.

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Os vídeos foram compartilhados em grupos de WhatsApp e acabaram se espalhando entre moradores da comunidade, o que levou familiares das vítimas a descobrirem o caso. A irmã de uma das crianças, que não mora na comunidade, mas recebeu as imagens, reconheceu o irmão e procurou a polícia no dia 24 de abril, três dias após o crime.

Veja fotos do caso

Famílias foram ameaçadas, diz advogada

Enquanto os vídeos circulavam pela comunidade, as famílias das duas crianças teriam sido ameaçadas para não denunciar o caso à polícia. A afirmação foi feita pela advogada de defesa, Aline Soares, no 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, também na Zona Leste.

A advogada afirmou que houve pressão para que o caso fosse resolvido entre os próprios moradores.

— As mães chegaram até nós falando que tinham sido ameaçadas pelo pessoal da comunidade. Foram até a casa delas dizendo que não era para elas denunciarem à polícia. Elas disseram que eles realmente falaram que não era para irem até a polícia, que eles resolveriam de alguma outra maneira entre eles. Elas também não conhecem essas pessoas. (…) Agora eles estão bem, as crianças estão seguras e salvas — disse à CBN.

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O delegado do 63º Distrito Policial, Júlio Geraldo, por outro lado, disse que não há confirmação de ameaças e que o que houve foram comentários entre vizinhos sem registro de intimidação direta. As investigações prosseguem.

As crianças estão recebendo atendimento médico e psicológico, sob acompanhamento do Conselho Tutelar. As famílias também foram acolhidas pela rede de assistência social da Prefeitura de São Paulo.

Os cinco envolvidos vão responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens e corrupção de menores.