Ser uma das únicas mulheres em uma usina termelétrica com cerca de 500 pessoas foi um dos desafios enfrentados em mais de uma década de carreira por Luisa Guenther. Formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a engenheira de Pós-Operação da Engie Brasil Energia hoje atua na área de análise de dados, na sede da companhia, em Florianópolis.

Continua depois da publicidade

A trajetória na empresa se iniciou há 11 anos, como seu primeiro trabalho. Na época, ela atuava como engenheira de instrumentação das usinas termelétricas da empresa de energia, que depois foram vendidas. Luísa conta que até então predominavam usinas térmicas e hidrelétricas, porém hoje são as solares e eólicas que compõem grande parte da capacidade instalada, sendo atualmente uma empresa 100% renovável.

— Quando eu cheguei, eram cinco mulheres num total de 500 pessoas. A minha equipe éramos 30 ou 40 pessoas e só tinha eu de mulher. Eu fui a primeira. Então muitas vezes você olhava em volta, e você era a única. Mas o que era muito muito legal é que, independente de sermos poucas, a gente se abraçava ali, estava sempre se apoiando — relata a engenheira.

Ao longo desses 11 anos, Luísa afirma que a questão da representatividade na área de energia melhorou muito, apesar do ambiente vir de um histórico muito masculino. No início, a pouca presença de mulheres, conta, fazia com que a parceria e a colaboração entre elas fosse ainda maior. Contudo, ao mesmo tempo, inseguranças também eram comuns, em uma tentativa de se adequar àquele ambiente ainda muito masculino.

Depois de três anos de trabalho de campo, Luísa migrou para a sede da empresa, onde trabalha no setor de pós-operação, que gera e monitora os dados referentes à energia gerada em todas as usinas, sejam elas hidrelétricas, solares ou eólicas. Ainda, ela detalha que o setor é uma espécie de intermediador entre a usina e a parte de monetizar a geração de energia.

Continua depois da publicidade

— Nós somos os responsáveis pelos indicadores operacionais. Somos responsáveis pelos dados de energia gerada, a gente faz todo o monitoramento dos medidores de energia. A gente tem que cumprir todas as questões regulatórias e garantir que os sistemas estão funcionando da melhor maneira — explica.

Mesmo com a mudança para a parte técnica, as mulheres ainda eram minoria, cenário que já mudou de forma significativa. São cerca de 20 mulheres em um universo de 80 pessoas na sede, participação crescente em um setor tradicionalmente associado aos homens. 

Ser mulher é fazer grandes escolhas

A maior representatividade feminina na área é vista de forma muito positiva por Luísa, que conta que os impactos vão além. Segundo ela, a maior presença de mulheres possibilitou até mesmo que os homens fossem mais diversos nesses ambientes, com diferentes formas de pensar, agir e trabalhar, colaborando para a diversidade do ambiente de trabalho. Porém, ela conta que já passou por situações que, na época, nem percebeu que tinham relação com o fato de ser mulher.

— Por exemplo, eu tinha uma reunião semanal onde eu era responsável, e aí alguém chegou para mim e falou: “Nossa, que legal, você vai lá e você fala”. E eu fiquei pensando, gente, mas o que que era para eu fazer então? — relembra.

Continua depois da publicidade

Apesar dos desafios, Luísa incentiva outras mulheres a seguir neste mesmo caminho, no qual encontrou parceria em outras mulheres e onde sempre há necessidade de pessoas e ideias novas, afirma. Ainda, resume a existência como mulher como múltipla, em diferentes faces, como mãe, esposa, e profissional, buscando crescimento e realização.

— Eu vejo que ser mulher é sim fazer algumas escolhas, mas eu vejo que ser mulher é ser é ser muitas, a gente consegue ser muita coisa ao mesmo tempo, se realizar de muitas maneiras — finaliza.

Antonietas

Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.