Pressionada pela alta do petróleo Brent acima de 100 dólares e pela instabilidade no Oriente Médio, a Casa Branca priorizou o controle da inflação doméstica em detrimento do isolamento de Moscou. A medida pode injetar até 10 bilhões de dólares nos cofres russos, garantindo um alívio imediato na oferta global de energia, enquanto, simultaneamente, financia a ofensiva militar no Leste Europeu. 

Continua depois da publicidade

Pressão do mercado e inflação nos postos 

Pressionado pela alta do petróleo Brent acima de 100 dólares e pela instabilidade no Oriente Médio, o governo de Donald Trump autorizou a liberação de milhões de barris de óleo russo retidos por sanções, priorizando o controle da inflação nos postos americanos em detrimento da estratégia de asfixia financeira contra o Kremlin. A medida, que contraria promessas de campanha de isolar Vladimir Putin, pode injetar até 10 bilhões de dólares nos cofres de Moscou, garantindo um alívio imediato na oferta global de energia enquanto, simultaneamente, financia indiretamente a ofensiva militar russa no Leste Europeu. 

Racha na OTAN e críticas europeias 

A decisão unilateral provocou indignação imediata entre os aliados. Lideranças da União Europeia e da França manifestaram profunda preocupação com a sinalização contraditória. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a situação atual “de forma alguma justifica a retirada de sanções”. 

Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz classificou a medida como um erro estratégico, destacando que a Rússia não demonstra vontade de negociar uma solução pacífica. Para analistas, Washington sinaliza que a prioridade atual é a contenção de custos internos, mesmo sob o risco de reduzir o isolamento diplomático da Rússia. 

Reação de Moscou e alerta da Ucrânia 

O Kremlin classificou a decisão como uma tentativa de “estabilizar o mercado petroleiro” e declarou estar de acordo com a licença. Já o governo da Ucrânia mantém o alerta: o afrouxamento financeiro impacta a resistência no front e torna o objetivo de uma “paz rápida” ainda mais complexo e distante. 

Continua depois da publicidade

* Editado por Jean Laurindo