Graduado em Administração pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o aventureiro Giuliano Nogaroli, de 48 anos, leva uma vida bem distante dos escritórios e planilhas que marcaram sua formação. Cadeirante desde 1996, o ex- aluno decidiu transformar a estrada em projeto de vida, e percorrer a América do Sul a bordo de um triciclo adaptado.
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Na estrada desde 2022, Giuliano já percorreu mais de 50 mil quilômetros, conheceu inúmeros estados do Brasil e países como Paraguai, Argentina e Bolívia. Ele também já percorreu travessias como o percurso do Oceano Atlântico ao Pacífico, passando pela Cordilheira dos Andes e pelo Deserto do Atacama.
Veja fotos das viagens
Para o viajante, um dos trajetos mais difíceis foi o Camino de la Muerte, na Bolívia, estrada que é conhecida pelos precipícios estreitos e curvas fechadas. A descida foi realizada em dezembro de 2025, e marcou Giuliano como o primeiro cadeirante a percorrer o trajeto em um triciclo adaptado.
— Não é só coragem. É algo difícil de explicar. Cada curva mostrou que muitos limites existem na mente — relembra.
As primeiras viagens
As primeiras aventuras de Giuliano Nogaroli começaram de forma simples: em uma caminhonete, com um pequeno trailer e a companhia inseparável dos cachorros de estimação, que ele define como parceiros silenciosos de jornada.
Os roteiros eram curtos, de 15 a 20 dias, explorando destinos isolados pelo Sul do Brasil. O que começou como escapadas pontuais logo ganhou outro significado. Quanto mais tempo passava na estrada, mais claro ficava que viajar não era apenas pausa na rotina, mas um modo de vida em construção.
O triciclo adaptado que hoje marca suas expedições, no entanto, levou anos para se tornar realidade. A primeira tentativa de compra, em 2010, terminou sem a entrega do veículo após a empresa responsável falir. Só mais tarde, já decidido a retomar o plano, ele encontrou em Curitiba o modelo que se tornaria seu companheiro definitivo de estrada.
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Durante a adaptação, contou com o apoio constante do primo Cássio, com quem sonhava percorrer o Brasil e a América do Sul, projeto que acabou se transformando no ponto de partida de uma trajetória sobre rodas.
Na pandemia da Covid-19, em 2020, os planos foram interrompidos pela perda de Cássio, que faleceu aos 47 anos. Quando o triciclo finalmente ficou pronto, Giuliano decidiu que seguiria com o plano e assim, carregaria a memória do primo com ele.
O triciclo foi pintado em amarelo, a cor da motocicleta Harley-Davidson usada pelo primo Cássio e o veículo foi batizado de Kassius Amarillo em sua homenagem.
— Viajar com o triciclo é levar um pedaço dele comigo — afirma o aventureiro
A expedição mais longa da jornada
A virada na trajetória do aventureiro Giuliano Nogaroli aconteceu em novembro de 2022, quando ele partiu sozinho rumo ao Deserto do Atacama levando barraca, saco de dormir e uma cozinha improvisada para viver na estrada. Logo nos primeiros dias, enfrentou um dos momentos mais tensos da jornada: em uma estrada secundária da Argentina, percebeu que havia perdido uma das rodas da cadeira de rodas.
Sem sinal de celular ou peça reserva, e com o triciclo apresentando falhas mecânicas, precisou lidar com a incerteza enquanto cruzava um trecho isolado. A solução veio com ajuda local, improvisos e paciência, uma combinação que se repetiria muitas vezes ao longo do caminho.
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— Foi ali que eu entendi que a viagem não era sobre controle, mas sobre continuar — conta Giuliano.
A expedição acabou entrando para a história pessoal do viajante. Ele se tornou o primeiro cadeirante a percorrer sozinho, em um triciclo adaptado, o trajeto do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, que atravessa a Cordilheira dos Andes e o próprio Atacama.
Para o aventureiro, a história de superação em meio ao cenário improvável, prova que viver uma aventura também pode e deve ser inclusiva. Somente nessa viagem foram mais de 50 mil quilômetros rodados, com passagens por Brasil, Paraguai, Chile e Bolívia, incluindo trechos acima de cinco mil metros de altitude.
Foram 96 dias de estrada que consagram a viagem como a expedição mais longa até agora já percorrida por Giuliano. A aventura foi realizada entre novembro de 2022 e o final de fevereiro de 2023.
Aventura além do Atacama
Após a viagem mais longa de Giuliano, a aventura não teve fim. A sequência veio em 2024, quando ele percorreu durante 56 dias as regiões Sul e Centro-Oeste, partindo de Santa Catarina e passando por Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, retornando pelo litoral de Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Já em 2025, uma nova expedição de 78 dias incluiu novamente países vizinhos e a travessia do perigoso Camino de la Muerte, conhecido pelas curvas estreitas e precipícios.
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Próximos planos
Hoje, com milhares de quilômetros acumulados, Nogaroli sonha em explorar a Austrália, um destino que ele descreve como um continente de contrastes naturais e desafios.
A próxima grande viagem ainda não tem data definida, mas deve acontecer no final do ano. Em algumas situações, o viajante escolhe o destino e em outras, o oposto acontece.
Sucesso nas Redes Sociais
Para acompanhar a rotina das viagens, Giuliano mantém um perfil no Instagram intitulado “Giuhros Pelo Mundo”, onde compartilha a vida real de um viajante sozinho em suas aventuras e já acumula quase 40 mil seguidores.
Segundo o aventureiro, as mensagens de apoio que recebe através do perfil, de pessoas motivadas com a história dele, dão sentido ao caminho e inspiram a continuar na jornada.
— Quando recebo relatos de pessoas que se sentem motivadas, é isso que coloca mais combustível nos meus desafios. É isso que me transforma — relata.
Enquanto a estrada segue aberta, Giuliano faz planos para novas viagens, aventuras e experiências.








