Uma das vítimas do ex-gerente da Caixa Econômica Federal investigado por suspeita de desviar cerca de R$ 1 milhão em Santa Catarina tinha 108 anos. A informação foi confirmada ao NSC Total pela Polícia Federal (PF), que apura o caso no município de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste do Estado.
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Segundo a PF, a maioria das vítimas era idosos com mais de 80 anos, descritos como pessoas humildes, com pouca ou nenhuma familiaridade com tecnologia. Muitos não utilizavam celular ou aplicativos bancários e, em alguns casos, sequer sabiam que tinham dívidas em seus nomes.
De acordo com os investigadores, o então gerente da agência da Caixa teria se aproveitado do cargo para lançar créditos, cartões e empréstimos nas contas dessas pessoas. Como tinha acesso ao sistema interno do banco, ele conseguia realizar as operações e, posteriormente, sacar os valores. As vítimas, por não acompanharem movimentações digitais ou extratos com frequência, não percebiam os débitos e compromissos financeiros assumidos em seus CPFs.
Veja fotos do caso
Vida de luxo levantou suspeitas
Ainda conforme a PF, um dos fatores que despertaram suspeitas foi o padrão de vida do gerente de 48 anos, considerado incompatível com o salário que recebia. A ostentação e a aquisição de bens de alto valor chamaram a atenção e teriam contribuído para o aprofundamento das apurações internas.
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O esquema foi inicialmente identificado pela própria Caixa, por meio de auditorias internas e de um processo de sindicância. Ao confirmar indícios de irregularidades, o banco instaurou processo administrativo disciplinar, que resultou na demissão do gerente em julho do ano passado.
Após a conclusão do procedimento interno, o material foi encaminhado à Polícia Federal, responsável por investigar e apurar eventual responsabilidade criminal, já que a Caixa é uma instituição pública federal e os prejuízos atingem também a União.
Vídeo feito pela polícia mostra carro de luxo e casa do ex-gerente
Operação “Sem Remorso”
Na terça-feira (24), a PF deflagrou a Operação “Sem Remorso” em Dionísio Cerqueira. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do investigado, os policiais recolheram documentos, um telefone celular e um carro de luxo.
O material apreendido será analisado para esclarecer como o esquema funcionava e se há participação de outras pessoas. Não há confirmação de cúmplices. A linha de investigação busca identificar se alguém auxiliava na captação de dados dos idosos ou na seleção das vítimas.
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O crime investigado é o de peculato — quando um servidor público se apropria ou desvia dinheiro ou bem público em razão do cargo. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 1 milhão, considerando valores atualizados.
O que diz a Caixa
O NSC Total procurou a Caixa Econômica Federal, que informou que colabora com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que combatem fraudes e golpes. O banco disse, ainda, que as informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes.
Destacou, também, que monitora “ininterruptamente” seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos, e que o indiciado não pertence mais ao quadro de empregados do banco.
Leia a nota da Caixa na íntegra
“A CAIXA informa que colabora com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que combatem fraudes e golpes. Tais informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes, para análise e investigação.
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O banco ressalta que monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos. Adicionalmente, a CAIXA esclarece que possui estratégia, políticas e procedimentos de segurança para a proteção dos dados e operações de seus clientes e dispõe de tecnologias e equipes especializadas para garantir segurança aos seus processos e canais de atendimento.
Esclarecemos que o indiciado não pertence mais ao quadro de empregados do banco“.






