Um exame de sangue, usado há décadas para medir o chamado exame de LDL pode não ser tão eficiente em mostrar o real risco de infarto e AVC dos pacientes. Porém, um novo estudo aponta que outro marcador, a apoB, pode oferecer uma leitura mais precisa.

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Enquanto o exame de LDL calcula a quantidade de colesterol dentro das partículas, a apoB ajuda a contar o número de partículas perigosas que circulam no sangue e podem se prender às artérias e assim influenciar negativamente a sua saúde cardiovascular.

apoB x LDL

A apolipoproteína B, chamada de apoB, é uma proteína presente em partículas de gordura que podem contribuir para a formação de placas nas artérias. Na prática, ela funciona como uma espécie de “contador” dessas partículas.

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Um estudo publicado no JAMA avaliou a eficiência de exames que miram o apoB com os exames tradicionais que calculam a quantidade de LDL. Os exames tradicionais medem a quantidade total do chamado “colesterol ruim” no sangue.

O problema é que o LDL não mostra diretamente quantas partículas potencialmente nocivas estão circulando. Uma pessoa pode ter partículas menores, com menos colesterol em cada uma, mas em número alto o bastante para aumentar o risco.

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Com o tempo, esse acúmulo pode formar placas, reduzir o fluxo de sangue e elevar o risco de eventos cardiovasculares. Por isso, a apoB vem ganhando espaço como marcador complementar em pacientes selecionados.

O que o novo estudo encontrou?

No estudo publicado no JAMA, os pesquisadores compararam três metas para intensificar o tratamento: LDL abaixo de 100 mg/dL, colesterol não-HDL abaixo de 118 mg/dL e apoB abaixo de 78,7 mg/dL. 

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A simulação incluiu 250 mil adultos dos EUA, elegíveis a estatinas e sem doença cardiovascular aterosclerótica já diagnosticada (Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels)
A simulação incluiu 250 mil adultos dos EUA, elegíveis a estatinas e sem doença cardiovascular aterosclerótica já diagnosticada (Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels)

Para testar as metas, o modelo reforçava o tratamento quando o paciente não chegava ao alvo definido pelo exame. Primeiro entrava uma estatina mais forte. Se ainda não bastasse, vinha a ezetimiba, outro remédio usado para reduzir o colesterol no sangue.

Trocar a meta de LDL pela de colesterol não-HDL gerou ganho de 965 anos de vida ajustados por qualidade e reduziu custos em US$ 2,1 milhões. Já a apoB somou mais 1.324 anos desse tipo, com gasto adicional de US$ 40,2 milhões na população simulada total.

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Mesmo custando mais, a apoB teve vantagem: US$ 30,3 mil por ano de vida ganho, abaixo do limite de US$ 120 mil do estudo. Ela venceu em 65% das análises porque conta partículas nocivas, enquanto o LDL segue útil, mas pode esconder risco em alguns pacientes.

Outras fontes

Uma análise publicada no JAMA Cardiology, com dados do UK Biobank e de dois grandes estudos clínicos, chegou a uma conclusão parecida.

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O trabalho avaliou 389.529 pessoas em prevenção primária e 40.430 pacientes com aterosclerose já estabelecida. O risco de infarto foi melhor capturado pelo número de lipoproteínas com apoB, independentemente do conteúdo de colesterol ou triglicerídeos.

Isso ajuda a explicar por que parte dos especialistas defende um olhar mais amplo sobre o colesterol. Em vez de observar apenas a “carga” de colesterol, a medicina passa a considerar também o número de partículas capazes de causar dano.

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