Juliano Cazarré gerou repercussão após participar de um debate sobre masculinidade na GloboNews. O ator é o criador de um encontro voltado a “fortalecer os homens” e afirmou durante a conversa que mulheres matariam mais parceiros do que homens, repetindo uma informação falsa que já havia circulado nas redes sociais.

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Ao comentar a violência no Brasil, Cazarré disse que o país seria violento de forma geral e usou o dado para relativizar o feminicídio. “Mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres. Tem 2.500 homens assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1.500 mulheres assassinadas por homens”, afirmou.

A declaração, no entanto, distorce estatísticas e mistura categorias diferentes de violência. O número citado pelo ator tem origem em um vídeo publicado no TikTok no ano passado, que usa dados incorretos sobre mortes violentas de homens no Brasil e aplica a eles um percentual global antigo, sem relação direta com a realidade brasileira.

A publicação atribuía ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a informação de que 6% dos homicídios de homens teriam sido cometidos por parceiras íntimas. A partir disso, calculava que mais de 2.700 homens teriam sido mortos por mulheres, número comparado de forma equivocada aos registros de feminicídio.

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A comparação foi desmentida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em resposta ao g1, em 2025. Eles apontam que a comparação é estatisticamente incorreta porque reúne mortes por homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e violência policial, enquanto o feminicídio se refere a assassinatos motivados por questão de gênero. Além disso, o dado de 6% é global, de 2013, e não corresponde ao cenário brasileiro.

Levantamentos internacionais mais recentes indicam que a violência letal contra mulheres ocorre majoritariamente dentro da esfera privada.

Segundo dados da ONU, a maior parte dos feminicídios no mundo é cometida por parceiros ou familiares das vítimas, enquanto homicídios de homens estão mais associados à violência urbana e a conflitos fora do ambiente doméstico.

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*Sob supervisão de Pablo Brito