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    Família de jovem catarinense morta junto com a namorada no Rio busca recursos para traslado do corpo

    Iasmyn Nascimento de Souza da Silva, 20 anos, e a namorada, Juliana Dantas Monteiro, 24, foram assediadas por um vizinho que, insatisfeito com o não, se armou com um faca e matou as duas

    18/03/2019 - 17h36 - Atualizada em: 19/03/2019 - 07h11

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    Por Ângela Bastos
    Iasmyn Nascimento de Souza da Silva
    Iasmyn Nascimento de Souza da Silva, 20 anos, foi assassinada junto com a namorada no Rio de Janeiro
    (Foto: )

    Não bastassem a dor e o inesperado da notícia, é preciso lidar com a falta de dinheiro para o translado do corpo da filha, irmã, neta. Esta é a realidade da família de Iasmyn Nascimento de Souza da Silva, 20 anos, assassinada no Rio de Janeiro, juntamente com a namorada, Juliana Dantas Monteiro, de 24 anos. O casal foi morto a facadas por um vizinho de 44 anos que, depois de assediar e discutir com Iasmyn, se armou e partiu para cima dela.

    Ao perceber a agressão, Juliana foi socorrer a namorada e também foi golpeada. O homicida escapou, mas foi localizado e está preso na Delegacia de Polícia de Angra dos Reis. A polícia carioca descobriu que ele era foragido e tinha um mandado de prisão em aberto, por um homicídio contra uma mulher em Araxá, Minas Gerais.

    Em Santa Catarina, a família foi informada do duplo homicídio na manhã de sábado (16). As mortes teriam ocorrido na madrugada. A partir dali e mesmo sob efeito de calmantes, a mãe, Lídia Nascimento de Souza, que mora em São José, na Grande Florianópolis, tenta um jeito para sepultar o corpo no Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis, onde a família tem uma sepultura.

    — O meu desejo é trazê-la para ficar perto da gente — diz a mãe.

    Para agilizar o traslado foi aberta uma vaquinha na internet (aqui). As despesas funerárias são de R$ 7 mil. Até as 18h30min desta segunda cerca de R$ 4 mil foram arrecadados. A mãe está preocupada:

    — Amanhã (terça-feira) terei a resposta sobre a ida ao Rio para o reconhecimento. Precisamos de ajuda, pois o IML só fica com os corpos por 15 dias.

    Lídia contou que a filha se mudou para o Rio de Janeiro há três anos. Fazia um ano que elas não se viam pessoalmente. Mas trocavam mensagens e se falavam por telefone. Lídia diz que aceitava o relacionamento das moças, o qual considerava muito bom, e que as duas trabalhavam com a distribuição de doces no comércio.

    Crime praticado por preconceito e lesbofobia, dizem ativistas

    A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia do Rio de Janeiro, deputada Renata Souza (PSOL-RJ), lamentou os assassinatos que para ela se caracterizam como preconceito e lesbofobia. Mesmo entendimento tem Lidi de Oliveira, a Lidi Pagu, cantora e ativista na Associação de Mulheres Brasileiras. Lidi leva a mensagem do feminismo não só nas músicas que canta e compõe, como também participa efetivamente de grupos sobre o tema.

    — Para a polícia se trata de um duplo homicídio, mas é claro que elas foram assassinadas por serem lésbicas.

    Os crimes ocorreram na casa das vítimas, na Rua Minas Gerais, no bairro Parque Mambucaba. A Polícia Militar apurou que o matador discutiu com uma delas no dia anterior, após uma cantada.

    No dia do crime, quando ele chegou do trabalho, viu que elas estavam em casa. Armou-se com uma faca e foi ao encontro delas. Em seguida, matou Iasmyn e depois Juliana. Os corpos foram levados para Instituto Médico Legal.

    Até a noite de segunda-feira (18) o corpo de Juliana também aguardava liberação. O autor do duplo assassinato foi encontrado por policiais militares em patrulhamento no fim da manhã de sábado na RJ-155 (Rodovia Lúcio Meira) quando fugia para Barra Mansa, cidade do sul do Rio de Janeiro.

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