Família denuncia agressões de PMs durante festa de 15 anos em São José

Caso aconteceu na madrugada deste domingo (12), no bairro Bela Vista 

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Centro Comunitário Bela Vista, onde festa de 15 anos era realizada (Foto: Paulo Mueller / NSC TV)

Uma família de São José, na Grande Florianópolis, afirma ter sido vítima de agressões físicas e verbais durante abordagem da Polícia Militar (PM) em uma festa de aniversário de 15 anos de uma adolescente na madrugada deste domingo (12). O caso aconteceu no Centro Comunitário do bairro Bela Vista.

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Segundo a mãe da aniversariante, uma mulher de 32 anos que preferiu não ter o nome divulgado, era por volta da 1h quando os policiais chegaram ao local acessando uma entrada nos fundos do terreno, onde era realizada outra festa, e pediram que ela fosse até a parte de fora do centro comunitário, onde começaram a agredi-la verbalmente.

— Eu fui falar com os policiais e um deles me disse: “eu quero que desligue o som agora”. Eu respondi que o nosso som não estava alto, que era o da outra festa, mas ele logo já foi agressivo e respondeu: “eu não quero saber, sua vagabunda. Acaba com tudo agora” — relata a mulher.

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Ainda de acordo com o relato da mãe da aniversariante, as agressões verbais dos policiais continuaram – eles chamavam os presentes da festa de “pretos e sujos”. Em seguida, os policiais efetuaram um disparo com bala de borracha para dentro do salão e, depois, invadiram o centro comunitário, onde a violência continuou com agressões físicas e mais disparos de bala de borracha.

Um policial me puxou pelos cabelos, eu estava com a minha filha de seis anos, ele me arrastou no chão, começou a me chutar. E a minha filha gritando. Foi horrível. Nos trataram como bichos. E a gente não podia falar nada, não podia abrir a boca ou perguntar alguma coisa que era agredido — relata ainda a mãe da adolescente.

A mulher afirma também que a filha de 15 anos, que comemorava o aniversário, sofreu convulsões durante a invasão da polícia e chegou a ser agredida por um policial com um chute enquanto estava caída no chão.

— Ele disse que ela estava fingindo e se negou a pedir socorro. Disse que se a gente quisesse chamar uma ambulância que fosse até o orelhão para ligar.

Uma mulher de 38 anos, prima da aniversariante, que também não quis ter o nome divulgado, contou que cerca de 40 pessoas estavam na festa no momento da abordagem, e que ao menos sete delas foram feridas pelos disparos de bala de borracha, incluindo crianças. A mulher também afirma que os policiais estavam sem identificação.

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Foi um cenário de guerra. Os policiais entraram, quebraram parte da decoração, atiraram com bala de borracha, não queriam saber se tinha criança ou não. Chegaram a apontar a arma para uma criança deficiente auditiva. Também recolheram o equipamento de som do DJ. Eles nos trataram como animais, com injúrias raciais, a gente se sentiu humilhado — afirma.

Polícia Militar ainda não se manifestou

A Polícia Militar ainda não se manifestou sobre o caso. A reportagem procurou o comandante-geral da Polícia Miliar de Santa Catarina, o coronel Araújo Gomes, que não atendeu às ligações até esta publicação. Já assessoria da PM orientou contato direto com o 7º Batalhão da PM, de São José, mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto até a última atualização da reportagem.

Família registrou boletim de ocorrência

A mãe da aniversariante também afirma ter sido tratada com descaso na delegacia de Polícia Civil de São José para onde foi levada presa após a confusão na madrugada de domingo. Ela afirma que não foi atendida pelo delegado e que não pôde relatar as agressões sofridas. A mulher foi liberada em seguida.

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Na tarde de domingo (12), a família procurou a 3ª Delegacia de Polícia da Capital, em Florianópolis, onde registrou boletim de ocorrência relatando as agressões dos policiais. Os familiares também relataram que passariam por exames de corpo e de delito nesta segunda-feira (13).

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil para ouvir uma posição sobre o relato de descaso na delegacia de São José e também para saber detalhes sobre a investigação após o registro do boletim da 3ª Delegacia de Polícia da Capital.

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No fim da tarde desta segunda, a assessoria de imprensa da Polícia Civil divulgou a seguinte nota:

"Conforme a Delegacia Regional de São José, com base nas informações repassadas pelo delegado plantonista, em nenhum momento houve recusa de atendimento à família citada em reportagem pela Central de Plantão de São José, já que a ocorrência foi atendida pela PM que lavrou o devido Termo Circunstanciado. Sobre o Boletim de Ocorrência registrado pela família na 3ª Delegacia de Polícia da Capital, tão logo a Polícia Civil de São José o receba serão tomadas as devidas providências legais de investigação pela delegacia da área do fato."