A família Charrier organizou uma mudança de cidade nos últimos meses, saindo de Joinville com destino a Salvador. Os preparativos também incluíram a documentação necessária para que Major, um husky siberiano de pelagem clara, embarcasse junto com a família em um voo da Latam Airlines Brasil no último dia 12 de janeiro. O cachorro, porém, precisou ficar para trás enquanto parte da família seguiu viagem.

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— Já tinha entregado a casa, só estávamos aguardando o voo para poder ir embora. Minha mulher está com um quadro de princípio de depressão, tanto que foi o motivo da nossa mudança. E a gente tem um apego emocional com o Major — conta Felipe Pereira de Almeida Charrier, o pai da família.

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O caso levou à uma ação judicial, com o auxílio da vereadora e ativista da causa animal Liliane Freitas Lovato

Por que cachorro não pôde embarcar em voo

Felipe conta ao NSC Total que Major foi proibido de embarcar devido a um erro na forma de disponibilizar os potes de ração e água dentro da caixa de transporte.

Conforme as normas da Latam Airlines Brasil, as tigelas precisam estar fixadas com segurança na porta da caixa de transporte, além de ter espaço suficiente entre a grade para que a água seja reabastecida durante o voo. Os potes também devem estar em uma altura confortável para cada animal.

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A família revela que as vasilhas estavam soltas dentro da caixa, mas imediatamente concordou em corrigir a situação. Porém, da mesma forma, a companhia aérea afirmou que Major não poderia embarcar no voo LA 3869 do dia 12 de janeiro às 19h30min.

Novo voo

Após uma conversa, a família decidiu que a mãe e a criança embarcariam no voo para que a não fosse preciso arcar com os custos de uma remarcação. No entanto, Felipe ficou em Joinville para resolver a situação. A Latam decidiu oferecer a remarcação gratuita para que Felipe embarcasse no dia seguinte no mesmo horário.

— Segundo eles, abriram uma exceção e remarcariam meu voo para o dia seguinte. O atendente falou: “Você vai procurar o serviço da Latam Cargo. E lá você vai procurar saber como é que você vai embarcar o seu cão. Vamos remarcar aqui sua passagem para amanhã sem custo nenhum” — relata Felipe.

O pai da família aceitou a proposta, acreditando que o transporte de Major estaria garantido e confirmado no mesmo voo que ele. Nesse dia extra em Joinville, Felipe regularizou a caixa de transporte e entrou em contato com a companhia por telefone para tirar outras dúvidas.

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Em conversa telefônica, Felipe foi informado que o requerimento para o transporte do Major não foi aberto pelo atendimento da companhia no aeroporto. A atendente ainda disse que o requerimento de transportes de animais precisa ser aberto 48 horas antes da viagem, o que não batia com o voo já agendado para o dia seguinte. Então, Felipe foi orientado a procurar a Latam Cargo.

Ele preencheu toda a documentação online, mas recebeu uma negativa por e-mail.

Ação judicial e ajuda de vereadora

A esposa de Felipe, Jordania Charrier, conhecia o trabalho da vereadora Liliane da Frada e entrou em contato com ela no dia 13. Quando a parlamentar soube da situação, decidiu ajudar a família e ficou responsável pelos cuidados de Major para que Felipe pudesse embarcar naquele dia — sem precisar novamente remarcar a viagem, desta vez tendo que arcar com os custos por conta própria.

Liliane conseguiu uma vaga em um hotel para animais, onde Major se encontra até a publicação desta matéria.

O caso resultou no ingresso de uma ação judicial da família em conjunto a Frente de Ação pelos Direitos dos Animais (Frada) contra a empresa aérea, que busca responsabilizar a Latam pela falha na prestação do serviço e pelo custeio integral das despesas geradas, incluindo hospedagem do animal, logística e demais custos decorrentes da negativa de embarque.

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A ação também ainda aponta ausência de informações claras, descumprimento do dever de assistência e a criação de uma situação de intenso sofrimento emocional para a família.

— Passando por todo esse transtorno, a Latam não teve nenhum nenhum pingo de empatia em se colocar no nosso lugar e tentar ajudar de alguma forma — diz Felipe.

A vereadora ainda ressalta que “animal não é bagagem”, e que empresas que operam serviços essenciais precisam ter “protocolos claros, humanizados e alinhados à legislação”.

O que diz a Latam

Procurada pelo NSC Total, a Latam Airlines Brasil informou que não comenta questões judiciais em andamento.

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