Uma família de Blumenau viu o imóvel que serviu de lar por mais de duas décadas desabar após uma escavação no terreno vizinho. Primeiro, no último sábado (18), a casa no bairro Escola Agrícola rachou. Depois, nesta segunda-feira (20), a estrutura não aguentou e metade ruiu. As moradoras deixaram a residência a tempo e, apesar da perda material, todas passam bem.
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Karine Clarice, de 27 anos, cresceu no local. Ela conta que o pai construiu a casa há quase três décadas, mas que quem estava ocupando o espaço atualmente era ela, a bebê dela e a mãe. Mesmo em períodos de chuva intensa na cidade, Karine disse que o terreno, que é íngreme, nunca deu qualquer sinal de deslizamento. Em 2024, porém, uma nova preocupação surgiu.
À época, uma empreiteira começou a obra para erguer ao lado do imóvel um prédio de sete pavimentos. Karine acionou a Defesa Civil, mas os técnicos não enxergaram problemas. Por algum motivo, no entanto, o trabalho parou e só foi retomado neste ano.
— As autoridades me deixaram na mão. Esperaram literalmente a casa cair para fazer alguma coisa. Eu chego a me arrepiar. Bens materiais a gente recupera, mas foram 27 anos de memórias, a nossa vida estava ali. É muito triste — lamenta a jovem.
Na última sexta-feira (17), quando a escavação estava sendo feita, a Defesa Civil esteve no local e informou que não havia risco. O problema, segundo o coordenador de fiscalização de áreas de risco da instituição, André Baumgratz, é que no sábado houve a escavação no meio do terreno, bem próximo aos pilares que sustentavam a casa.
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A própria equipe da construtora avisou a família e sugeriu que as mulheres deixassem o lar. Quando viram, a casa estava partida ao meio, com uma enorme rachadura. Karine diz que recebeu suporte e conversará com os donos da obra ainda nesta terça-feira (21). Com a queda de metade da residência na segunda (20), a família tenta recolher o que sobrou e não pretende voltar para o mesmo endereço.
— Minha mãe está sofrendo muito, não consegue falar com ninguém, só chorar e chorar. A gente não quer a reconstrução da casa, não me sinto mais segura aqui — desabafou.
A reportagem não conseguiu contato, até o momento, com a responsável pela construção, a AM Incorporadora. Baumgratz explica que a Defesa Civil embargou a obra no fim de semana e notificou a empresa para que fosse construído um muro de contenção entre os terrenos, que não possuem uma barreira física. O órgão também ouvirá o proprietário e o responsável técnico pelo serviço, cujo nome não consta na fachada da obra.









