Novos detalhes da operação Carga Oca foram divulgados em uma coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (26) em Blumenau. Segundo o Gaeco, havia uma simulação de entregas de macadame entre duas empresas contratadas pela prefeitura. Em um dos episódios foi registrado que o mesmo caminhão levou materiais em 59 endereços em uma única tarde — além do número absurdo, o veículo sequer estava na cidade naquele dia.
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Conforme o promotor Marcionei Mendes, o esquema que funcionou entre 2022 e 2024 consistia em fraudes. Duas empresas que venceram licitações para fornecer macadame às obras da prefeitura criaram, junto com servidores públicos, uma verdadeira organização criminosa. Na prática, o poder público pagava por certa quantidade de material, mas nada era entregue do jeito acordado. De contratos que totalizaram cerca de R$ 7 milhões, pouco mais de R$ 3 milhões de fato foram honrados.
Por enquanto são 12 investigados, sendo cinco agentes públicos. O NSC Total apurou que um deles é o ex-secretário de Conservação e Manutenção Urbana, Ricardo da Silva. Até a publicação deste texto, a reportagem não conseguiu contato com Ricardinho, como é conhecido no meio político.
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Para “servidores da ponta”, um dos empresários envolvidos entregava carne como forma de pagamento, revelou ainda o promotor. Dois dos funcionários públicos foram afastados das funções por 180 dias. Foram 17 ordens judiciais cumpridas nas casas dos suspeitos e nas sedes das empresas em Blumenau, Gaspar, Brusque e Pomerode em busca de documentos, celulares e outros dispositivos que demonstraram a lavagem de dinheiro e o aumento desproporcional de patrimônio de alguns servidores. O pai de uma das pessoas abordadas foi preso por desacato.
Entre os crimes investigados estão a corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
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— Tudo será analisado para a produção do relatório final. Depois, devo entrar com uma ação penal e civil contra os responsáveis — explicou Mendes.
Os contratos administrativos firmados entre a prefeitura e as empresas investigadas foram suspensos, contou o Gaeco. O poder público, porém, afirmou que os documentos já não estavam mais ativos.
Contraponto
Em nota, o ex-prefeito Mário Hildebrandt contou que no primeiro semestre de 2024, quando foram observadas as primeiras evidências, “sindicâncias internas foram abertas pela Procuradoria-Geral do Município que identificaram os indícios de irregularidades e deram base para a contratação da auditoria externa, em apoio a Controladoria Geral do Município”.
“Na ocasião, a gestão seguindo orientação da Controlaria Geral, também implementou o programa de integridade e aplicação de novos controles, buscando combater ocorrências desse mesmo perfil. O relatório com o resultado das apurações na auditoria contratada foi pessoalmente entregue pelo ex-prefeito ao Ministério Público ainda em 2024 e utilizado na investigação”, ressaltou Hildebrandt.
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A gestão atual reafirmou que os contratos foram suspensos anteriormente, mas que está à disposição das autoridades, “colaborando com transparência e fornecendo todas as informações necessárias para o avanço das investigações. A atual gestão, inclusive, já disponibilizou à Polícia Civil relatórios internos produzidos neste ano”.







