Imagine a cena: na cidade acima, cerca de 200 habitantes seguem suas rotinas. Fazem compras, trabalham, abastecem os carros. Mas um ataque cibernético real para tudo. Essa é a premissa da cidade falsa construída pelo FBI.

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Essa é a Kinetic Cyber Range (Campo Ciber Cinético, em tradução livre), uma “cidade dentro da cidade” que funciona de verdade. E é a principal ferramenta da instituição para treinar agentes na hora de responder a ciberataques.

Veja fotos da ‘cidade falsa’

Por dentro do cenário do FBI

Com 22 mil metros quadrados — o equivalente a dois campos e meio de futebol —, a Kinetic Cyber Range não é uma cidade cenográfica. Segundo a instituição, ela contém quartos de hotel, casas, um posto de gasolina, um hospital e uma estação de energia.

E, com exceção dos atores, nada nessa cidade é cenográfico. Dos serviços prestados na rua até os computadores, e-mails, dispositivos eletrônicos e sistemas, tudo funciona como no mundo real.

Aprendendo com os erros

O objetivo da cidade falsa do FBI é criar uma infraestrutura dependente que simule os efeitos reais e imediatos de um ciberataque. E, com isso, formar novos agentes. Em um espaço como o Kinetic Cyber Range, os recrutas aprendem a coletar provas, analisar os eventos e aprender errando.

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A reação real é importante para ensinar os agentes a agirem em cenários de pressão. Em alguns treinamentos, os agentes operam em espaços similares a data centers, com espaços minúsculos, frios e com muitos sistemas operando de uma vez.

Simulações envolvem casos com risco de vida

Um dos treinamentos mais intensos do Kinectic Cyber Range é a invasão da rede de um hospital. Na ocasião, o espaço físico é alvo de um ransomware — ataque que “sequestra” os comandos de uma instalação, liberando-os apenas sob recompensa.

Esse tipo de local é visado por cibercriminosos por conta da urgência, já que controlar os aparelhos permite desligá-los remotamente, colocando os pacientes em risco. Quando isso ocorre, alarmes ecoam, e os agentes precisam correr contra o tempo para que o ataque não ameace a vida dos pacientes.

Ransomware custa caro e já fez vítimas no Brasil

A urgência desse tipo de ataque cibernético faz com que o ransomware se torne uma prática lucrativa para os cibercriminosos. Segundo um relatório do FBI, só em 2025 os ciberataques causaram prejuízo de US$ 20,9 bilhões, com o ransomware sendo o principal.

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Esse tipo de sequestro de dados já afetou empresas e governos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Em 2025, o país foi o terceiro maior alvo de ransomwares no mundo. Instituições como o SUS e o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) foram alvo desses ataques nos últimos anos.