Feira no Aventureiro vira centro de polêmica sobre o comércio de rua em Joinville

Assunto foi debatido na Câmara de Vereadores e envolve leis municipais

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Feira do Brás em Joinville abriu nesta semana e gera discussões (Foto: Sabrina Quariniri/A Notícia)

Concorrência desleal para uns e direito de sustento para outros: a recente instalação da já tradicional Feira do Brás em Joinville, no bairro Aventureiro, está no centro de uma discussão polêmica e até manifestações contrárias na Câmara de Vereadores da cidade.  

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​Para entender a discussão, a reportagem do AN conversou com vereadores, feirantes e representante do comércio convencional para saber o que está em debate.  

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Uma antiga lei que regulamentava a realização de feiras em Joinville impedia que o varejo temporário se instalasse na cidade tanto em datas comemorativas quanto durante os 21 dias que antecedem cada celebração. Uma decisão judicial, no entanto, derrubou a determinação sob a justificativa de incostitucionalidade, já que tinha vício de origem e feria o livre comércio. 

Na última semana, um projeto de lei de Tânia Larson (PSL), apresentado na Casa em 2019, voltou a ser pauta. Autora do texto, a vereadora diz que a proposta está engavetada porque não atendeu às ideias da gestão anterior. Já Maurício Peixer (PL), presidente da Câmara, afirma que o texto está travado por apresentar “os mesmos problemas” que a lei anterior. 

“Concorrência desleal” 

Peixer acompanha o assunto de perto e diz que não é contra a Feira do Brás ou outras feiras semelhantes, mas argumenta ser preciso que este tipo de comércio seja melhor regulamentado. 

O vereador diz que este varejo temporário é “oportunista” porque não gera empregos, não paga impostos e ainda tira a clientela do comércio convencional. Ele denomina a feira como predatória, que “que vem, estraga o comércio e vai embora”. 

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— Não é possível impedir [as feiras]. Desde que atenda a todas as exigências, podem vir. Quando se impede uma Feira do Brás, você proíbe também uma Feira da Sapatilha no Festival de Dança, ou as feiras da Expoville, por exemplo — destaca. 

José Manoel Ramos, presidente da Câmara de Dirigentes e Lojistas (CDL), a lei atual é “genérica” e comenta sobre a necessidade de uma regulamentação mais rígida, que iniba a “pirataria, o descaminho e produtos de origem duvisosa”. 

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Ramos ainda diz que, assim como os vereadores, não é contra as feiras, mas contra a concorrência desleal do comércio itinerante que ocupa as datas comerciais e feriados comemorativos e entrega produtos sem garantia. 

— O que nós queremos é igualdade, somos acostumados a ter concorrência do lado e na frente, o problema não é medo de concorrência, mas da concorrência desleal. Isso que queremos disciplinar. A lei tem que regulamentar de forma que fique de igual para igual — comenta. 

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“Todo ano a mesma ladainha”, critica coordenadora da feira

A coordenadora da Feira do Brás em Joinville, que pediu para não se identificar, conta que está no ramo há oito anos e, desde sempre, recebe críticas e reclamações por parte dos comerciantes locais. 

Ela diz que, ao contrário do que é dito, os feirantes pagam impostos e outras licenças necessárias para a instalação das tendas. Em dezembro do ano passado, por exemplo, ela afirma que a edição não ocorreu por falta de regularização de um documento. 

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— Pra gente poder fazer o evento, a primeira coisa a gente tem que entrar com o TTD (Tratamento Tributário Diferenciado) e avisar a receita estadual. Depois, precisamos emitir as notas fiscais. Pagamos os impostos antecipadamente, antes de abrir. Se tu vende ou não, tem que pagar — comenta. 

Além do imposto estadual, a coordenadora conta ser necessário um alvará municipal para instalar as barracas, banheiro químico e também a licença por parte dos bombeiros 

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— O que tem de desleal em trabalhar? O feirante quer viver, sente fome e sede. Todo ano é a mesma ladainha. 

“Desleal é comprar a R$ 20 e vender por R$ 100”

Jaqueline Bastos, 36, tem um estande de roupas adulto e infantil com a tia na Feira do Brás deste ano e diz que o comércio temporário leva comodidade à comunidade, principalmente neste momento de crise e alta nos preços dos produtos. 

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Para ela, os comerciantes locais deveriam refletir sobre a popularidade das feiras e usar de alguma forma como exemplo para melhorar a clientela. Jaqueline é enfática ao dizer que o que faz não tem nada de desleal. 

— Desleal é a pessoa saber que está pegando uma peça a R$ 20 e vendendo a R$ 100. Isso pra mim é deslealdade. Muitas vezes eu ouvi aqui “nossa, a calça está barata aqui, na loja tal estava R$ 150” — destaca. 

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Na feira deste ano, há apenas seis feirantes até o momento, que expõem roupas para adultos e crianças, além de calçados. O evento se instalou há cerca de uma semana e deve ficar no espaço, na rua Tuiutí, até abril. 

Para Jaqueline, o argumento de produtos sem procedência cai por terra, já que compra os itens nas mesmas lojas que os outros comércios compram. Inclusive, possue notas fiscais das compras. 

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— Temos que apresentar licenças e notas, Não é tudo ao léu — diz. 

Como está o assunto na CVJ 

O assunto segue em debate na Casa entre comerciantes e vereadores ainda nesta semana. Os parlamentares, inclusive, escreveram uma minuta com auxílio da CDL visando corrigir as “falhas” da atual legislação municipal.

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Segundo Tânia Larson, seu projeto de lei prevê mecanismos mais rígidos para obtenção de licença às feiras que veem de outras cidades, incentivando o livre comércio, mas, ao mesmo tempo, “garantindo uma concorrência justa”.

No último dia 15 de março, através de uma cooperação dos vereadores Brandel Ramos (Podemos) e Pastor Ascendino (PSD) foi protocolado um substitutivo global que se reporta à lei estadual sobre feiras itinerantes, que não estava sendo aplicada no município. 

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Esse substitutivo global será lido no plenário para que o suporte legislativo da Casa encaminhe para a Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Se aportado na comissão, o presidente irá designar um novo relator ao projeto e irá apensar o substitutivo à lei complementar 46/2019 – o projeto principal. 

— Agora, o que se precisa para dar o andamento é que o presidente da Comissão, Alisson Júlio (Novo), paute o projeto para que o novo relator seja designado no próximo dia 21. Se aprovado, passa para a Comissão de Redação, depois é analisado o mérito. Ou seja, será discutido o impacto que trará a Joinville — explicou Larson.

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