A 11ª edição da tradicional Festa Nacional do Trator, em Irineópolis, cidade do Planalto Norte de Santa Catarina será adiada. O comunicado publicado nesta terça-feira (14) pela prefeitura da cidade aponta como um dos fatores a prisão de José Clemir Spinelli, empresário e organizador da festa, em decorrência da operação Pão e Circo, que investiga supostas fraudes e formação de cartel em licitações de eventos em Santa Catarina.
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A festa estava prevista para ocorrer entre os dias 30 de julho e 2 de agosto de 2026, em comemoração aos 64 anos de emancipação político-administrativa de Irineópolis. Não há previsão para nova data. O aviso pegou os moradores de surpresa, afinal, a programação já é esperada pela população. Reconhecida como a Capital Nacional do Trator, a pequena cidade chegou a ser recordista com o famoso “tratoraço”, que reuniu quase mil máquinas agrícolas no maior desfile da categoria no Brasil durante a edição de 2022.
Cidade tem o maior desfile de tratores do Brasil
Segundo o prefeito Juliano Pozzi Pereira, a administração municipal esperou cerca de uma semana após a deflagração da operação para analisar se seria possível manter a programação. Após conversas entre os setores jurídicos da prefeitura e da empresa contratada, porém, a conclusão foi de que a realização do evento havia se tornado inviável.
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— Seria inviável a realização da festa por diversos fatores. O principal deles seria o a prisão do organizador, que era a alma da empresa e era quem realmente botava a mão na massa e tinha todos os contatos para fazer com que a festa acontecesse — disse o prefeito Juliano Pozzi Pereira (PSDB).
O município também já havia feito um adiantamento à empresa contratada para o pagamento de despesas relacionadas ao evento.
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— Prefeito, e eu que já paguei o camarote? A empresa que já pagou pelo espaço para expor, como é que fica? Por isso que nós estamos adiando. A prefeitura também, dentro do contrato, já fez um adiantamento para a empresa para que ela pudesse ir realizando as despesas da festa. Mas, infelizmente, por fatores fortuitos, não teremos condição de realizá-la — disse no vídeo.
Apesar do adiamento, a Prefeitura de Irineópolis já havia emitido uma nota, no dia 7 de julho, quando a operação foi deflagrada, que não constava no rol de municípios investigados pela operação. “O Município de Irineópolis esclarece que não consta no rol dos municípios investigados ou citados nas reportagens divulgadas sobre a operação. Também não há informação oficial que relacione a Prefeitura Municipal de Irineópolis ou a Festa do Trator aos fatos apurados”, declarou.
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Veja o vídeo completo:
Operação do Gaeco mira 19 municípios
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios, sendo 18 deles catarinenses e um gaúcho na terça-feira passada (7). Um cartel formado por empresários do setor de eventos teria sido o alvo principal da operação, que teve um mandado de prisão preventiva cumprido contra um suspeito.
Em Santa Catarina, os mandados estão sendo cumpridos em casas e órgãos públicos de:
- Abdon Batista;
- Apiúna;
- Aurora;
- Bombinhas;
- Brusque;
- Canoinhas;
- Governador Celso Ramos;
- Indaial
- Itaiópolis;
- Itapema;
- Laurentino;
- Mafra;
- Palhoça;
- Porto Belo;
- Pouso Redondo;
- Santa Terezinha;
- São Bento do Sul;
- Três Barras.
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A operação, chamada de “Pão e Circo”, investiga empresários, que teriam estruturado e colocado em prática um esquema de fraude em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional.
Tanto os próprios empresários quanto agentes públicos recebiam e pagavam propina para viabilizar o esquema, além de lavar dinheiro para ocultar os valores obtidos. Os empresários, agentes públicos, ex-agentes públicos e outros investigados foram alvos de diversas medidas judiciais. Foram bloqueados cerca de R$ 9 milhões em bens e valores para garantir “eventual reparação ao erário”, de acordo com o Ministério Público.
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Medidas como afastamento de funções, restrições para contratar o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e de contrato entre investigados e testemunhas foram algumas das medidas cautelares aplicadas. A investigação segue em andamento, mas em sigilo de justiça.
Empresário preso
O empresário preso durante a operação foi José Clemir Spinelli, de 54 anos. Nas redes sociais, ele ostentava fotos com artistas de renome, como Israel & Rodolfo, João Neto & Frederico e o cantor Luan Pereira. Ele é dono da Spinelli Produções, vencedora de diversas licitações para promoção de shows tradicionais principalmente em cidades do interior catarinense. Nas mídias, ele também mostrava a rotina com a família, com viagens internacionais. Ele foi preso em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina.
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