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Artes

Festival de Dança de Joinville: quem é a garota-propaganda da edição de 2019

A bailarina passou horas recebendo tintas pelo corpo para protagonizar o comercial na TV e posar para as fotos de divulgação

17/07/2019 - 12h30 - Atualizada em: 17/07/2019 - 18h15

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
Kamila Abreu é natural de São José, na Grande Florianópolis, mas viveu a maior parte da vida em Joinville
Kamila Abreu é natural de São José, na Grande Florianópolis, mas viveu a maior parte da vida em Joinville
(Foto: )

Desde o início de julho, os moradores de Joinville podem assistir na TV e nas redes sociais um vídeo em que uma moça retratada na tela de um museu se move ao som de diferentes estilos musicais, deixando um visitante intrigado. Ela faz parte da campanha de divulgação do 37º Festival de Dança de Joinville e contou com uma bailarina que, apesar de não ser nascida na cidade-sede, já tem uma história longa com a Capital Nacional da Dança.

Kamila Abreu é natural de São José, na Grande Florianópolis, mas viveu a maior parte da vida em Joinville. Ela tinha apenas 11 anos quando deixou a casa dos pais para dedicar-se à formação em dança clássica na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

— Eu fazia aula de dança e teatro na escola, participava de tudo o que aparecia na área de artes. Quando veio o bilhetinho para participar da seletiva do Bolshoi, minha mãe assinou e nem ligou, porque achou que era só mais uma atividade. Só quando eu passei e a coordenação chamou meus pais para conversar é que fomos entender o que eu estava fazendo — conta ela, aos risos.

foto mostra três meninas com números no peito em uma audição de balé
Aos 10 anos, Kamila (E) participando da audição da Escola Bolshoi
(Foto: )

Junto com outras cinco crianças de São José, Kamila chegou a Joinville em 2008 e foi viver em uma casa subsidiada pela Prefeitura de São José. Ela lembra que a casa social — nome dado às residências onde vivem estudantes da Escola Bolshoi em Joinville, geralmente com uma mulher ou um casal responsável por administrar a casa e atuar como "pais sociais" — chegou a ter 26 moradores.

Ficar longe dos pais era difícil, mas não ter a privacidade do próprio quarto e ter sempre a casa cheia também eram desafios ao longo dos oito anos em que ela viveu em uma "casa do balé". Ao mesmo tempo, havia a rotina rígida das aulas todos os dias na Escola Bolshoi, os ensaios e as aulas na escola regular.

— Tinha bastante regras que tinham que ser seguidas até os 18 anos na casa. Mas eu sempre trabalhei muito com foco no "me pede, eu faço". Até a quarta série foi assim e, a partir disso, eu entendi o que estava fazendo e decidi que era o que queria. Então, a partir disso, passei a me dedicar mais ainda — afirma.

Depois da formatura, em 2014, Kamila passou a integrar a Cia. Jovem Bolshoi Brasil e, em 2016, conciliou a rotina de bailarina com a de professora de dança clássica do Bolshoi. Ela tornou-se a primeira referência das meninas que chegam à instituição, com idades entre nove e 11 anos, na primeira série de dança clássica.

Mesmo quando ainda era adolescente, Kamila se envolvia tanto na rotina do Bolshoi que, quando as férias de julho chegavam, ela não voltava imediatamente para casa. Aproveitando que era época de Festival de Dança, período em que o Bolshoi também promove audições para suas vagas remanescentes, ela permanecia em Joinville.

— Eu ficava e ajudava nas audições e levando os turistas nas visitações pela escola. É uma época em que Joinville fica cheia, tem apresentações por todo lado, coisa que infelizmente a gente não vê no resto do ano, e é por isso que eu gosto do Festival — avalia.

Há alguns anos, ela também oferece aulas de dança no período do Festival de Dança de Joinville, o que repete neste ano com curso de balé clássico iniciante para meninas de oito a 12 anos. Em meio a tudo isso, foi escolhida como a "garota-propaganda" do Festival de Joinville. Para isso, ela precisou criar movimentos de dança contemporânea, clássica e urbana durante o teste, que depois foram usados no comercial.

Na produção, ela aparece totalmente "colorida" pelas mãos da artista Denise Schlickmann, que foi responsável pelo cartaz artístico da 37ª edição.

— Cheguei de manhã e ela começou a me pintar, foram horas pintando. Aí filmava um pouco e voltava para retocar, pintava até no meio dos dedinhos porque tinha que pegar todos os detalhes. Mas foi um grande presente no meu 12º ano em Joinville — comenta.

Assista ao vídeo:

Kamila despede-se da Capital Nacional da Dança durante o Festival de 2019. Em agosto, ela parte para os Estados Unidos, onde integrará o Ballet Florida e dará aulas de dança na escola que a companhia mantém em West Palm Beach.

Aos 23 anos, ela dá este novo passo em busca de novas experiências mesmo depois de já ter construído precocemente uma trajetória intensa, que a levaram a dançar ao lado de estrelas do balé como Natalia Osipova, Elena Andrienko e Ivan Vassiliev, ser bailarina convidada do Salzburg Ballet na Áustria e ver meninas que iniciaram a formação com ela chegarem ao fim da primeira etapa de formação da Escola Bolshoi.

— Eu amo dançar e amo ser professora. Na Cia. Jovem do Bolshoi, que é semiprofissional, eu não poderia mais continuar porque já sou muito experiente para ela, mas sou muito jovem para parar de dançar. Então, mesmo amando o Bolshoi, precisei fazer uma escolha que me levou ao Ballet Florida — explica.

Para este ano, Kamila também foi a "garota da capa" do jornal A Notícia no primeiro dia de Festival de Dança. As fotos foram realizadas no Mirante de Joinville.

A bailarina e professora Kamila Abreu posa para o jornal A Notícia no Mirante de Joinville
A bailarina e professora Kamila Abreu posa para o jornal A Notícia no Mirante de Joinville
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