Poucos carros representam tanto o Brasil quanto o Fiat Uno. Durante décadas, a versão quadradona foi símbolo de simplicidade, economia e manutenção barata. Já a BYD virou um dos rostos da nova era dos carros elétricos, recheados de tecnologia e eletrônica. Agora imagine juntar os dois.

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Foi isso que decidiu fazer a equipe do canal Letra Jota, no YouTube. O projeto começou com um Fiat Uno antigo e um motor retirado de um BYD batido. A ideia era transformar o hatch em um carro elétrico. O caminho envolveumeses de estudo, adaptações mecânicas e uma solução que ninguém sabia se daria certo.

Durante os testes mais recentes, o Uno elétrico já rodou pelas ruas, subiu ladeiras, atingiu velocidades próximas de 60 km/h em primeira marcha e chegou até a cantar pneus.

“Eu acho que esse Uno não volta mais a combustão nem ferrando. Já era. Agora vai ser elétrico”, resume Leandro, um dos responsáveis pelo projeto, durante o vídeo.

O problema que obrigou a desmontar o motor da BYD

O maior desafio apareceu logo no início. Motores de carros elétricos modernos costumam trabalhar com tensões elevadas. No caso do conjunto utilizado pela equipe, a alimentação original girava em torno de 300 volts.

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O problema é que o projeto pretendia utilizar uma controladora muito mais simples e barata, trabalhando com algo próximo de 70 volts. A diferença era grande demais.

Em vez de abandonar a ideia, os criadores decidiram fazer algo pouco comum até mesmo entre preparadores especializados: desmontar completamente o motor e alterar internamente seus enrolamentos.

“Assim nasceu o primeiro motor de carro elétrico rebobinado e agora com os fios bem parrudos porque a corrente vai ser três vezes maior do que aplicada originalmente para manter a mesma potência”, explica Leandro.

Um BYD batido, um Uno velho e muita coragem

Ao longo do vídeo, a equipe brinca várias vezes com a simplicidade da receita.

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“Precisa de um BYD batido, uma controladora xingling e um Uno velho”.

A frase provoca risadas, mas resume bem a filosofia do projeto.

Muitas peças vieram de sucata ou foram reaproveitadas. Bombas, cilindros de freio e diversos componentes mecânicos foram recuperados e adaptados.

Nem tudo foi comprado novo. Em vários momentos, os criadores mostram peças sendo limpas, soldadas e reaproveitadas para reduzir custos.

Mas eles também fazem um alerta: “Mesmo barato sai caro”.

A observação aparece porque, embora a proposta seja de baixo custo em comparação com outros projetos de eletrificação, ainda há um investimento considerável em baterias, eletrônica e fabricação de componentes sob medida.

O Uno manteve uma coisa que muita gente não esperava

Quem imagina que um carro elétrico não precisa de câmbio pode se surpreender. No projeto, o Uno continua usando a transmissão manual original.

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E isso trouxe uma descoberta interessante. Segundo os criadores, as trocas de marcha ficaram até mais suaves do que acontecia com o motor a combustão.

Sem pistões, volante do motor e girabrequim pesados para manter a inércia, o sincronismo das marchas ficou muito mais fácil. “O câmbio não sente o motor aqui”, comenta Leandro.

As baterias foram presas com cordas no primeiro teste

Uma das cenas mais curiosas do vídeo mostra o estágio inicial dos testes.

Para verificar se tudo estava funcionando, as baterias foram instaladas provisoriamente no cofre do motor e fixadas usando cordas e abraçadeiras plásticas.

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A montagem era claramente temporária.

A ideia era apenas descobrir se o conjunto conseguiria movimentar o carro antes da construção definitiva dos suportes.

Funcionou.

Logo nos primeiros testes, mesmo operando com apenas uma fração da potência disponível, o Uno já conseguia se mover sozinho.

O silêncio virou uma experiência estranha

Entre as reações mais curiosas dos criadores está a sensação de dirigir um carro antigo sem ouvir praticamente nenhum ruído do motor.

“Pensa numa sensação estranha você andar em um carro antigo zero barulho”. Sem o som tradicional da combustão, surgiram outros ruídos que normalmente ficam escondidos.

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Folgas da carroceria, sons da suspensão e até barulhos do câmbio passaram a ser percebidos com muito mais clareza. “O bagulho tá silencioso. Dá para escutar tudo agora”, comenta Leandro.

Quando a potência foi liberada, o Uno mudou de personalidade

Os testes iniciais estavam limitados por programação. Mas, conforme os ajustes avançaram, a corrente elétrica disponibilizada ao motor foi aumentando.

Com a configuração chegando a cerca de 600 ampères nas baterias, o desempenho começou a chamar atenção.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o conjunto passou a entregar algo próximo de 55 cavalos teóricos. Pode não parecer muito para padrões atuais, mas é suficiente para deixar o hatch bastante esperto.

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Ainda faltam algumas etapas

Apesar de já rodar, o projeto está longe de ser considerado concluído. Os próprios criadores apontam diversos itens que ainda precisam ser instalados ou aperfeiçoados.

Entre eles estão:

  • sistema de refrigeração para a controladora;
  • servofreio elétrico;
  • pedal definitivo do acelerador;
  • conversor DC-DC para alimentar os sistemas de 12 volts;
  • acabamento e organização dos componentes.

Após uma sequência de testes mais pesados, o motor chegou a cerca de 45°C e a controladora aqueceu bastante, mostrando que ainda há trabalho pela frente.